Bancários de Pernambuco e AMUPE somam forças para barrar o fechamento de agências e preservar o atendimento à população no Estado

Em articulação para frear o fechamento de agências bancárias nos municípios pernambucanos, representantes do Sindicato dos Bancários de Pernambuco reuniram-se com representantes da Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE), nesta terça-feira (28). No encontro, foram apresentados os dados alarmantes do relatório elaborado pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que detalha saída dos principais bancos dos municípios do Estado, em especial no Interior.

A reunião contou com a participação do presidente da AMUPE e prefeito de Aliança, Pedro Freitas, do secretário executivo da associação, Carlos Alberto, e do gerente administrativo e financeiro, José Mário. Representando o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, estiveram presentes o presidente da entidade, Fabiano Moura, acompanhado pelos dirigentes Ricardo Vaz, Fernando Batata e Fábio Sales.

“Tivemos uma conversa muito produtiva com a AMUPE e construímos estratégias para avançar neste debate, na tentativa de sensibilizar o sistema financeiro sobre os impactos do fechamento de agências em Pernambuco e barrar este processo, porque do ponto de vista social, para população, e do econômico, para os municípios, isso é muito prejudicial”, destacou Fabiano Moura, presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco.

Os dados do relatório do DIEESE apresentados durante a reunião revelam uma tendência contínua de desmonte do atendimento bancário físico e humano. Em Pernambuco, o número total de agências bancárias caiu de 429 em 2023 para 414 em 2024, chegando a apenas 405 em 2025. No acumulado de 24 meses, o estado registrou uma perda líquida de 24 agências.

A análise detalhada do período mais recente (12 meses entre março de 2025 e março de 2026) aponta um cenário ainda mais severo, com o fechamento de 47 agências em todo o estado. O banco que liderou as reduções de agências no período foi o Santander, com 19 unidades fechadas, seguido pelo Itaú Unibanco (12), Bradesco (8), Caixa Econômica Federal (7) e Banco do Brasil (1). O Banco do Nordeste (BNB) manteve suas estruturas sem fechamentos no período.

Recife, foi a cidade mais afetada, perdendo 24 agências em 12 meses. No entanto, o impacto é fortemente sentido no interior e em regiões metropolitanas, com fechamentos registrados em diversos municípios que não contam com uma rede de agências como na capital. Vale ressaltar que os demonstrativos dos bancos, assim como o Banco Central, não divulgam dados sobre fechamento das estruturas de postos de atendimento por Estado.

A reunião entre o Sindicato e a AMUPE reforça a necessidade de articulação política e social para cobrar das instituições financeiras a manutenção do atendimento presencial, essencial para a movimentação econômica dos municípios e para a inclusão bancária da população pernambucana. A pauta será debatida com prefeitos dos municípios pernambucanos e, em conjunto, as entidades buscarão diálogo com as principais instituições financeiras do país no sentido de manter o atendimento presencial com agências bancárias nos municípios do Estado.

Presidente da AMUPE, Pedro Freitas, ressalta a preocupação dos municípios com o tema. “Oitenta e três por cento dos municípios pernambucanos têm menos de 50 mil habitantes, vários deles não contam com nenhuma agência bancária. Então, ficamos muito preocupados, pois isso impacta na economia local e na vida das pessoas que precisam se deslocar para outras cidades para sacar salário, benefícios. Então, vamos nos aproximar, AMUPE e Sindicato dos Bancários, trazer prefeitos e prefeitas para essa discussão, para tentarmos frear o movimento de fechamento de agências, principalmente no interior do Estado. Em conjunto com os bancos vamos buscar manter a estrutura existente e retomar a reabertura desses postos de atendimentos que os municípios tinham e perderam”, afirmou Pedro Freitas.

Além do prejuízo direto ao atendimento à população e à economia local dos municípios, o fechamento de agências reflete-se na perda de postos de trabalho. De acordo com os dados compilados no relatório, o saldo de emprego formal da categoria bancária em Pernambuco tem sido negativo nas instituições tradicionais.

O panorama pernambucano acompanha a realidade nacional. Em 2025, os cinco maiores bancos do país fecharam um total de 1.345 agências. No que diz respeito aos postos de trabalho, as holdings do Banco do Brasil e dos três grandes bancos privados (Itaú, Bradesco e Santander) extinguiram 12.815 postos de trabalho em doze meses, enquanto a Caixa e o banco digital Nubank abriram, respectivamente, 1.087 e 1.300 vagas no país.

CONFIRA O RELATÓRIO: FECHAMENTO DE AGÊNCIAS BANCÁRIAS E POSTOS DE TRABALHO EM PERNAMBUCO E NO BRASIL

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi