Nota de Repúdio do Sindicato dos Bancários de Pernambuco contra a postura da Caixa para seus empregados

A direção do Sindicato dos Bancários de Pernambuco vem a público demonstrar o seu repúdio e indignação contra a postura da direção da Caixa Econômica para com seus empregados e suas empregadas. O processo de negociação estabelecido com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e com a Caixa Econômica e demais bancos começou no início de julho. Os bancos, todos eles, tanto nas mesas específicas como na mesa geral, adotaram uma postura de empurrar a negociação propositalmente até o final da data-base 31 de agosto, se valendo da reforma trabalhista, que tirou de nós a ultratividade. Essa postura foi percebida pelo Comando Nacional e pelas comissões de empresa dos trabalhadores que acompanham as negociações. A estratégia adotada pelo Comando Nacional foi de antecipar a pauta econômica para o final de julho, para daí termos 30 dias para poder fazer as nossas negociações antes do fim da data-base. Porque nós sabemos dos riscos que o fim dessa ultratividade pode causar aos direitos conquistados dos trabalhadores.

Infelizmente, os bancos, tanto nas mesas específicas como na mesa geral, empurraram as negociações até o limite. Isso não foi por falta de empenho do Comando ou das comissões de empresa. Muito pelo contrário. A toda hora, nós pressionávamos, por exemplo, a Fenaban, a mesa única, para que apresentasse imediatamente uma proposta financeira. Quando veio, já em meados de agosto, a primeira proposta financeira, foi uma verdadeira vergonha, foi um verdadeiro escárnio com a organização dos trabalhadores. Apresentaram uma proposta abaixo da inflação. E assim seguiram as negociações até o final de agosto.

No dia 20, nós demos um recado para o conjunto dos bancos. Realizamos um dia de paralisação. Os trabalhadores que mais se empenharam nesse dia de mobilização foram os empregados e as empregadas da Caixa Econômica Federal. No dia 20, fizeram uma grande greve, uma grande paralisação de advertência. A Comissão de Empresa da Caixa Econômica alertava o tempo todo que essa proposta, colocada na mesa de negociação sobre o Saúde Caixa, emperraria a negociação no que diz respeito à insatisfação da categoria com o que estava sendo apresentado pela direção da Caixa. Mas, diante de uma estratégia clara do banco, as negociações na Caixa foram empurradas até a data limite.

Então, após a proposta da Caixa Econômica sobre o Saúde Caixa, os trabalhadores, em uma grande assembleia, não só aqui em Pernambuco, mas no país todo, resolveram rejeitar a proposta e indicar paralisação por tempo indeterminado. Superamos a data-base, 31 de agosto, e o banco continua usando o mesmo instrumento de pressão da ultratividade, alegando que nós passamos da data limite. Nós passamos da data limite por uma estratégia irresponsável dos banqueiros. Nós passamos da data limite por uma estratégia irresponsável da direção da Caixa Econômica. E agora não seremos nós que vamos pagar esse preço.

O fim da ultratividade está aí. A reforma trabalhista está aí. E quem vai pagar a conta, agora, por não ter avançado na negociação coletiva? Quem vai pagar a conta porque nós passamos da data limite da ultratividade vai ser a trabalhadora, vai ser o trabalhador? A gente sabe dos limites jurídicos, por isso nós antecipamos a negociação. Agora a Caixa ameaça com uma nota que os trabalhadores só vão obter o que está em lei e que a lei os protege e que nada do que foi conquistado acima da CLT está garantido. Sindicato dos Bancários de Pernambuco repudia essa postura não apenas no momento desta nota ou da greve, mas em todo o processo de negociação. Porque foram eles que estrategicamente levaram os trabalhadores a chegar onde nós chegamos. Nós não aceitamos essa postura da Caixa, não se trata de salário, não se trata de PLR, é uma questão de dignidade humana.

Sindicato dos Bancários de Pernambuco continua firme junto com os trabalhadores buscando todos os meios possíveis, políticos, legais, para que não saiamos desse processo derrotados ou com perdas históricas. Porque este movimento que nós fizemos não teve precedente de luta no estado de Pernambuco e no Brasil. Estamos com movimentos firmes e fortes buscando todas as articulações possíveis para resguardar os direitos dos empregados e das empregadas da Caixa Econômica Federal.

Também somos contra qualquer proposta de ajuizamento de dissídio coletivo, entendendo que não podemos, dentro de um processo garantido pela Constituição, permitir que a Caixa leve o movimento grevista para o tribunal. Somos contra qualquer tipo de ajuizamento de dissídio.

Fabiano Moura

Presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco

12 de setembro de 2026

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