Trabalhadores que têm data-base no segundo
semestre deste ano, como bancários, metalúrgicos e petroleiros,
deverão repetir as conquistas dos últimos anos com ganhos salariais
acima da inflação. Essa é a expectativa do coordenador de Relações
Sindicais do Departamento de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), José Silvestre Prado.
Ele acredita, no entanto, que
as negociações serão mais difíceis. “Creio que a trajetória
vai ser de ganhos reais, mas temos um cenário mais difícil para as
negociações do que em 2010, porque, além das discussões sobre os
rumos da inflação, o crescimento da economia será menor”.
Dados
do Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS) do Dieese divulgados
em março deste ano indicam que, em 2010, a proporção de
trabalhadores que conseguiram aumento real é a maior de toda a série
histórica do estudo, iniciado em 1996. Segundo o levantamento, 89%
das 700 unidades de negociações analisadas (indústria, comércio e
serviços) obtiveram ganhos reais. Em 15% dos casos, relativos a 106
negociações, a taxa superou os 3%.
Para Silvestre, reajustes
em índices acima da inflação não representam uma ameaça de o
país viver um ciclo de repasses contínuos de preços, o que poderia
provocar um descontrole inflacionário. “O aumento da renda e da
oferta de trabalho impulsionou o mercado interno, inclusive, no
período da crise financeira internacional entre 2008 e 2009.”
O
coordenador do Dieese afirmou que os ganhos obtidos esta semana pelos
trabalhadores da construção civil com reajuste de 9,5% (em torno de
3,5% de aumento real) refletem o dinamismo do setor, que vem sendo
estimulado pelos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) e por obras de preparação do país para sediar a Copa do
Mundo de 2014, entre outros empreendimentos. Ele lembrou que, neste
mês, além dos trabalhadores da construção civil, têm data-base
os que atuam no segmento dos transportes.