Ao lançar nesta
quinta-feira (2) o Plano Brasil sem Miséria, principal eixo da
política social do governo federal, a presidenta Dilma Rousseff
disse que a pobreza nunca foi olhada como deveria pelos governantes
que a antecederam, à exceção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, único que citou como preocupado com a questão da miséria no
país. Segundo Dilma, Lula enxergou os pobres como “seres
capazes de construir sua própria riqueza, sua dignidade”.
“Foram
precisos mais de quatro séculos para que o combate à pobreza se
convertesse de fato em política prioritária de governo. Os nossos
pobres já foram acusados de tudo, inclusive de serem responsáveis
pela sua própria pobreza”, afirmou Dilma, ressaltando que o
ex-presidente Lula foi um um dos inspiradores do plano lançado
hoje.
“Já disseram que, se nós déssemos o Bolsa
Família, eles [os mais pobres] se conformariam com a pobreza. Já
disseram, de forma absurda, que as causas da pobreza eram o clima
tropical, o nosso sol, e a miscigenação. Já disseram, e em parte
tinham razão, que se a gente fosse olhar a raiz, uma das causas de
nossa pobreza era a escravidão. Mas a escravidão passou há muito
tempo e a falta de vontade política ultrapassou a escravidão”,
disse a presidenta.
O Plano Brasil sem Miséria articula e
amplia programas já existentes, como o Bolsa Família, que passa a
atender mais 1,3 milhão de crianças e adolescentes, e inaugura o
que o governo vem chamando de “busca ativa”, para
identificar famílias que não são ainda atingidas por ações.
Em
seu discurso, Dilma também afirmou que o grande mérito do plano é
trazer para a pauta dos governos o compromisso de combate à miséria.
“Devemos fazer todo e qualquer esforço para superá-la, para
dizer que a luta contra a miséria é dever do Estado e tarefa de
todos os brasileiros e brasileiras deste país”, disse a
presidenta.
Dilma destacou ainda o papel de pensadores
brasileiros que estudaram as questões sociais, como Gilberto Freyre,
Joaquim Nabuco, Sérgio Buarque de Holanda, Josué de Castro e Darcy
Ribeiro. Segundo a presidenta, no Brasil sem Miséria “ecoam as
vozes” de todos esses pensadores.
A presidenta também
lembrou o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, idealizador da
campanha Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, na década
de 1990,.e agradeceu à família do pintor Candido Portinari, que
cedeu os direitos da obra do artista para ilustrar peças do Plano
Brasil sem Miséria.