CUT apoia greves e quer aumento da pressão por ganhos reais de salário

A Executiva Nacional da CUT, reunida em São
Paulo, nesta terça e quarta-feira, dias 13 e 14, aprovou a seguinte
resolução sobre conjuntura:

A crise econômica não se
combate com ajuste fiscal

A crise capitalista
internacional iniciada nos EUA em 2008, continua a se aprofundar com
desaceleração e instabilidade econômica, particularmente nos
Estados Unidos, Europa e Japão, e aumento do desemprego e da pobreza
no mundo.

O sistema financeiro internacional também continua
sem mecanismos de controle e mantém-se o mercado especulativo
fortalecido, através de políticas e programas de apoio dos governos
que protegem o interesse dos grandes bancos em detrimento do salário,
emprego e direitos de milhões de trabalhadores, trabalhadoras e
jovens em todo o mundo.

Além disso, a guerra continua sendo
um poderoso e brutal mecanismo de ingerência sobre a soberania
nacional de países periféricos, mantendo a indústria bélica como
um importante setor de valorização do capital e destruição de
forças produtivas, especialmente de vida humana.

Ao mesmo
tempo, persiste o discurso de solução para a crise baseada na
política neoliberal que a gerou, buscando-se a redução da relação
dívida/PIB com políticas recessivas e aperto fiscal, reduzindo a
capacidade de planejamento e ação dos Estados. Na esteira da
redução dos gastos públicos vem a pressão pelas reformas
previdenciária e trabalhista para retirar direitos e desregulamentar
as relações de trabalho, com arrocho salarial e diminuição dos
investimentos em políticas públicas.

Crise econômica não
se combate com ajuste fiscal (sem qualquer mudança da estrutura
tributária regressiva e injusta), privilégios à especulação,
recessão e criminalização dos salários. Se até o momento a
manifestação da crise no Brasil foi menos intensa, foi por ter sido
enfrentada com maiores investimentos públicos, distribuição de
renda e diminuição da pobreza, valorização do mercado interno e
geração de empregos e renda, como a CUT e os movimentos sociais
sempre defenderam, através de mobilização e pressão pela forte
presença do Estado como indutor do desenvolvimento.

Mas neste
momento, na contramão, a política macroeconômica brasileira mantém
as altas taxas de juros, o câmbio valorizado, com implementação de
cortes nos gastos públicos e elevação do superávit primário. E
tenta transformar o salário em vilão da inflação. O Banco
Central, após reduzir em míseros 0,5% – os mais altos juros do
mundo, que sangram o Orçamento público para engordar banqueiros,
rentistas e especuladores, teve a desfaçatez de divulgar em seu
relatório que “existe um risco muito grande na possibilidade de
concessão de aumentos de salários, incompatíveis com o crescimento
da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da
inflação”

Contra o retrocesso, a CUT reafirma a
necessidade de ocuparmos as ruas com grandes mobilizações e greves,
disputando nossas propostas por um novo modelo de desenvolvimento
sustentável, com distribuição de renda e valorização do trabalho
para o Brasil.

Enfrentamento à crise se faz com redução dos
jurospara impulsionar a produção nacional e o desenvolvimento do
mercado interno, tendo o Estado como indutor do desenvolvimento,
colocando os bancos públicos – como o BNDES, o Banco do Brasil e a
Caixa Econômica Federal – para incentivar a produção, exigindo
contrapartidas de empregos que condicionem esse crédito, tais como a
estabilidade no emprego, o respeito à legislação trabalhista e à
atuação sindical, o combate à terceirização etc.

Enfrentamento
à crise se faz com reforma tributária. Estudo do IPEA mostra que,
enquanto as famílias mais pobres têm uma carga tributária de 32%
de sua renda, as mais ricas têm apenas 21%. Para a CUT, é
necessário que o sistema tributário seja progressivo, socialmente
justo para reduzir as desigualdades de distribuição de riqueza e
renda, e que possibilite o Estado a oferecer um sistema de gastos
públicos que promova a igualdade de acesso e
oportunidades.

Enfrentamento à crise se faz com política de
valorização real do salário mínimo, fortalecimento das
aposentadorias, aumento dos salários e geração de empregos; com a
redução da jornada de trabalho sem redução de salários e da
rotatividade no emprego; fortalecimento da agricultura familiar e
Reforma Agrária; organização sindical no local de trabalho e
combate às práticas antissindicais; promoção do trabalho decente
com igualdade de oportunidades; respeito à Convenção 158 da OIT –
que põe fim à demissão imotivada, e à convenção 151 que
regulamenta a negociação coletiva no serviço público; ratificação
da convenção 189 da OIT que trata dos direitos das trabalhadoras
domésticas, com políticas públicas para o compartilhamento das
responsabilidades familiares.

Enfrentamento à crise se faz
com a implementação do piso nacional da educação, destinação de
10% do PIB para a Educação, com o fim das privatizações dos
aeroportos, com maior controle público sobre os setores estratégicos
da economia nacional.

Enfrentamento à crise se faz com a
aprovação da Emenda 29, que destina maiores recursos para a saúde.
Consideramos de vital importância a estruturação da Lei de
Responsabilidade Sanitária, visando a superação das amarras
colocadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a garantia de
fontes de financiamento ao SUS.

Para tanto é imprescindível
a Regulamentação da Emenda Constitucional 29/2000, a elevação do
percentual do montante da Receita Bruta que garanta o mínimo de 10%
do PIB Nacional. Na mesma lógica, defendemos o fim da Desvinculação
das Receitas da União (DRU) e destinação de percentual de
arrecadação tributária aplicada aos produtos danosos à saúde
(álcool, cigarro etc.) para que integrem o orçamento do Ministério
da Saúde.

Enfrentamento à crise se faz com mobilizações
e lutas.

Por isso, a CUT conclama sua militância a
intensificar a pressão por ganhos reais nas campanhas salariais,
realizando uma manifestação no próximo dia 21 de setembro no Rio
de Janeiro, especialmente envolvendo os trabalhadores das
estatais.

A CUT conclama o conjunto de sua militância a
ampliar e fortalecer as campanhas em curso, como as greves dos/as
trabalhadores/as da educação. Nesta quinta-feira, 15 de setembro,
completa-se 100 dias de greve liderada pelo Sind-Ute contra a
truculência do governo tucano Anastasia-Aécio de Minas Gerais. A
CUT convoca suas entidades e todas as categorias a apoiarem a greve
do Sind-Ute com mobilizações e solidariedade.

A CUT
continuará a apoiar a greve da Fasubra e as lutas em curso dos/as
servidores federais contra o arrocho imposto pela redução dos
investimentos públicos, à greve dos/as trabalhadores/as dos
Correios lideradas pela Fentect, às campanhas salariais dos/as
bancários/as, dos/as petroleiros/as e dos/as químicos/as, entre
outras.

A CUT convoca sua militância a mobilizar caravanas de
Norte a Sul do país para participar ativamente do dia 26 de
setembro, Dia de Mobilização pela aplicação do Piso Nacional dos
trabalhadores em educação em conjunto com a CNTE. E nos dias 27 e
28 no movimento Primavera na Saúde.

Realizaremos, ao final da
13ª Plenaria da CUT, em Guarulhos, no dia 7 de outubro, um ato
publico pelo Trabalho Decente, pela redução da jornada de trabalho
sem redução de salários!

Somos fortes, Somos CUT!

DIREÇÃO
EXECUTIVA NACIONAL
CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

QUINTINO
SEVERO
SECRETÁRIO GERAL

Expediente:
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