A campanha nacional que os bancários promoveram entre agosto e setembro
arrancou aumentos salariais entre 7,5% e 8,5% para os pisos. Aliados a
outras conquistas, como a elevação da participação nos lucros e dos
ticketes, os índices representam a injeção de R$ 7,6 bilhões na economia
brasileira, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Porém, além dos avanços econômicos, a luta dos trabalhadores representa
uma vitória em outras frentes. A convenção coletiva que a Contraf-CUT,
federações e sindicatos assinaram no último dia 2 inclui três cláusulas
específicas sobre saúde do trabalhador.
A cláusula 45ª regulamenta a entrega do atestado médico ao banco pelo
trabalhador e faz com que este receba um comprovante, impedindo que o
documento pare na gaveta do gerente ou perca-se.
Complementar, a cláusula 46ª determina que o banco deve expedir
documento com a declaração do último dia trabalhado em até dois dias
úteis antes da perícia e, portanto, agilizando o processo.
Por fim, a cláusula 59ª, e a mais exaustivamente discutida, trata da
relação entre o afastamento do bancário e a manutenção de seus
vencimentos.
“Com essa cláusula, o banco mantém o pagamento do salário. Independe de o
INSS reconhecer que o trabalhador está incapacitado para o serviço, o
bancário poderá fazer o pagamento desses vencimentos em parcelas que não
comprometam mais de 30% de seus ganhos líquidos”, explica o secretário
de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Walcir Previtale.
O objetivo é evitar o endividamento de quem aguarda a marcação da
perícia, que em algumas regiões demora até 120 dias para ser realizada. A
norma vale tanto para quem vai se afastar pela primeira vez, quanto
para quem já se afastou.
Para a secretária de Saúde do Trabalhador da CUT, Junéia Bastista, as
mudanças abrem precedentes para as próximas campanhas salariais de
outros trabalhadores.
“Até então, a situação que temos é de pessoas que estão afastadas e
ficam sem suporte nenhum da empresa. Com esses avanços junto aos bancos,
outras categorias e negociadores terão uma referência para incluir em
suas negociações.”
Trabalho preventivo – Walcir enaltece, porém, que isso não soluciona um grave problema que a
categoria enfrenta: o adoecimento por conta das metas abusivas impostas
aos trabalhadores.
Segundo pesquisa realizada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo,
Osasco e Região, 84% dos bancários consultados disseram ter algum
problema de saúde e 65% apontaram o estresse como principal queixa. Um
estudo de 2009 com base em levantamento do INSS destacou ainda que 6,8
mil empregados do setor haviam sido afastados por doenças. Uma pesquisa
da Universidade de Brasília mostrou que, entre 1996 e 2005, 181
bancários cometeram suicídio.
“Continuaremos lutando por mecanismos que regulem esses metas, que estão
sempre associadas ao assédio moral. Porque o banco não quer saber das
dificuldades, mas apenas dos resultados. Precisamos estabelecer um outro
ambiente de trabalho”, defendeu o dirigente da Contraf-CUT.