Os membros dos Mercosul, com exceção do Paraguai, deixaram para o começo
de 2013 a finalização do processo de criação do Banco do Sul (BS),
braço financeiro que irá patrocinar Argentina, Bolívia, Brasil, Uruguai e
Venezuela. A reunião ocorrida em meados deste ano fracassou na
tentativa de criar o banco com capital inicial de US$ 6 bilhões (R$ 12,2
bilhões).
“A reunião de julho não deu certo e o encontro de ministros (da Fazenda)
será no começo do ano que vem”, afirma ao iG secretário de Assuntos
Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Cozendey
A finalização do processo de criação do BS emperrou na sucessão
presidencial na Venezuela. Agora que Hugo Chávez foi confirmado para
seguir à frente do Palácio Miraflores até 2020, as conversas avançam.
Não à toa, o presidente venezuelano já autorizou a montagem da sede do
banco em Caracas, capital do vizinho sul-americano. “Já estão montado os
escritórios, comprando os móveis”, relata o secretário.
A formulação do banco já foi assinada pelos países, mas ainda falta
definir o papel de cada país no conselho de administração da
instituição. A única definição acorda formalmente foi o desembolso por
Argentina, Brasil e Venezuela de cotas individualizadas de US$ 2 bilhões
(R$ 4,06 bilhões).
A parcela efetivamente assumida por cada um dos três membros, contudo,
será de US$ 400 milhões (R$ 812,12 milhões). O montante será dividido em
cinco ‘pagamentos’ anuais de US$ 80 milhões (R$ 162,42 milhões). “A
dotação orçamentária de 2013 já prevê os primeiros US$ 80 milhões”, diz o
secretário.
O US$ 1,6 bilhão (R$ 3,25 bilhões) restante será assumido no formato de
títulos financeiros. As cotas de Bolívia e Uruguai ainda não foram
definidas, o que só deve ser decidido na reunião de 2013, cuja data
ainda não está fechada.
O BS será uma alternativa financeira às dificuldades de membros do
Mercosul em obter crédito junto ao Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário
Internacional (FMI) – especialmente Argentina e Venezuela, o que deve
acelerar agora a criação do banco anunciado em 2007. “Eles têm problemas
com o acesso ao mercado (financeiro) internacional e têm interesse em
continuar”, avalia.
No caso do Brasil, a instituição precisa ser aprovada pelo Congresso em
votações distintas na Câmara e no Senado. Por ora, o projeto tramita
lentamente na Câmara, que após aprová-lo deverá encaminhar ao Senado.
“Para nós, seria bom se houvesse andamento no Congresso”, sugere
Cozendey.
Brics voltarão a debater swap em março – Os presidentes do bloco de emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia,
China e África do Sul (Brics) farão um encontro em março de 2013 para
definir o modelo e os valores de um grande acordo de swap para o grupo.
O ‘seguro’ será diferente do realizado entre Brasil e China durante a
Rio+20 , quando os parceiros firmaram acordo da ordem de R$ 60 bilhões
em moedas locais (real e yan) para trocas comerciais.
O novo modelo será tradicional: compra de posições em dólar americano. O
objetivo será manter uma reserva de moeda estrangeira para os membros
dos Brics acionarem em caso de falha no sistema internacional de crédito
para financiar o comércio exterior – como ocorrido durante a crise de
2008. “O swap será usado caso há colapso do sistema, se os países
tiverem algum problema (de financiamento)”, diz Cozendey.