Projeto piloto de segurança bancária começa a sair do papel


O
projeto-piloto de segurança bancária conquistado na Campanha Nacional deste ano
começou a sair do papel. Nesta quarta-feira, dia 7, o Comando Nacional dos
Bancários e a Federação dos Bancos (Fenaban) se reuniram para dar início às
negociações. As duas partes apresentaram suas propostas para a iniciativa, que
deve ser implantada de forma pioneira no Brasil nas cidades de Recife, Olinda e
Jaboatão.

Segundo a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, que representou os bancários
de Pernambuco na negociação, a proposta dos bancos tem avanços significativos,
já que atende boa parte das reivindicações dos bancários. “Pela primeira vez,
os bancos aceitaram implantar portas de segurança com detectores de metais,
biombos entre os caixas e câmeras nas áreas internas e externas das agências.
Acreditamos que ainda é possível avançar mais e vamos continuar com as negociações”,
afirma Jaqueline.

O projeto-piloto foi batizado pela Fenaban de “Programa de Melhorias de
Segurança Bancária no Recife”. Os bancos também propuseram a redução das
tarifas de transferência (DOC e TED) nos caixas para o mesmo valor cobrado via
internet, e a diminuição do limite do TED, hoje em R$ 3 mil, para R$ 2 mil e
depois de alguns meses para R$ 1 mil.

Durante as negociações, os bancários apresentaram também propostas para a construção
do projeto-piloto. “Queremos incluir os postos de atendimento bancário.
Recentemente vários foram assaltados no Recife. Muitos são até mais vulneráveis
que as agências”, afirmou Jaqueline.

Os bancários apontaram também lacunas na proposta da Fenaban. “Precisamos
reforçar a segurança das fachadas, mediante a blindagem. Os vidros hoje
instalados são muito frágeis, não resistindo a tiros, marretas e outros
objetos. Além disso, é preciso incluir medidas contra sequestros, como o fim da
guarda das chaves por bancários. Toda semana tem casos de gerentes e
tesoureiros sequestrados e familiares reféns”, observou Ademir Wiederkehr,
secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de
Segurança Bancária.

Outra medida defendida pelos bancários foi a contratação de mais funcionários
para trabalhar nos caixas. “Não adianta colocar mais banquinhos para os
clientes sentarem. É preciso garantir um atendimento rápido e, assim, acabar
com as filas, evitar a ação de olheiros e combater a saidinha de banco”,
afirmou Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

Ao final da reunião, foi definido a formação de um grupo de trabalho, com
representantes dos bancários e dos bancos, para analisar as propostas
apresentadas, ainda em novembro.
 “Vamos
buscar avanços, pois os bancos possuem condições econômicas para atender as
demandas da categoria e garantir um ambiente seguro para trabalhadores,
clientes e população”, apontou Cordeiro. “E, após o projeto-piloto,
queremos estender as conquistas de Pernambuco para agências e postos de
atendimento em todo país”, concluiu o presidente da Contraf.

Além do Comando, participaram da negociação integrantes do Coletivo Nacional de
Segurança Bancária, entre eles o diretor do Sindicato, João Rufino. Pela
Fenaban, estiveram presentes o presidente Murilo Portugal, diretores e
representantes de relações sindicais e da área de segurança dos maiores bancos.


Veja as propostas
definidas pelos bancários para avançar no projeto-piloto


– implantação do projeto-piloto em agências e postos de atendimento bancário;
– porta de segurança com detector de metais antes do autoatendimento;
– câmeras internas e externas com monitoramento em tempo real fora do local
controlado;
– vidros blindados nas fachadas externas;
– biombos opacos ente a fila e a bateria de caixas;
– divisórias opacas entre os caixas, inclusive os eletrônicos;
– mais funcionários nos caixas para reduzir as filas e evitar olheiros;
– isenção das tarifas de transferência de recursos (DOC, TED);
– fim da guarda das chaves pelos bancários para evitar sequestros;
– abertura e fechamento das agências e postos por empresas de segurança para
combater sequestros;
– presença de vigilantes em toda jornada de trabalho dos bancários;
– guarda-volumes antes da porta de segurança para evitar constrangimento de
clientes;
– abastecimento dos caixas eletrônicos no autoatendimento na parte traseira e
em local fechado;
– escudo com assento para vigilantes
– local específico para estacionamento do carro-forte para abastecimento das
unidades.

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