A Contraf-CUT participa nesta terça e quarta-feira, dias 13 e 14, da 15ª
Reunião Anual do Comitê Executivo Mundial da UNI Sindicato Global, em
Nyon, na Suíça. A confederação brasileira é afiliada da UNI, entidade
que representa 900 sindicatos e 20 milhões de trabalhadores do setor de
serviços de todo mundo.
O secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Mário Raia,
destaca que entre os temas principais da reunião o Projeto Rompendo
Barreiras. “É o ponto central de ação da UNI definido no Congresso
Mundial de 2010, em Nagasaki, e se discutirá o plano estratégico e em
particular as iniciativas de organização em curso nos sindicatos
globais, setoriais e nas regiões”, explica.
A construção de uma visão econômica alternativa também estará em debate.
“As discussões se articularão ao redor do trabalho dos sindicatos
globais para apontar uma visão econômica alternativa, do trabalho
precário e das campanhas organizadas pelos sindicatos por salários
dignos e contra as medidas de austeridade”, aponta Mário Raia.
Serão discutidos igualmente temas e pontos de debate para o próximo
Congresso Mundial na UNI, na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2014.
“As novas perspectivas também serão focadas, com ênfase em iniciativas
nacionais-chaves como a missão de UNI Comércio na China, o trabalho em
Myanmar, os avanços na Colômbia e o trabalho no Oriente Médio, dentre
outros itens”, enfatiza o diretor da Contraf-CUT. “Serão ainda
discutidas as modernizações nos trabalhos de UNI em matéria de
comunicação”.
Além de Mário Raia, participam da reunião a presidenta e a secretária de
finanças do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira e
Rita Berlofa, respectivamente. Rita, que é suplente do Comitê Executivo
Mundial da UNI, participa na condição de titular, uma vez que o
presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, não viajou por problemas de
saúde na família. Mário Raia e Juvandia são observadores.
Fórum para a Paz – Na véspera da reunião, foi realizado na segunda-feira, dia 12, o Fórum
para a Paz da UNI. Conforme Mário Raia, “a intenção foi oferecer uma
plataforma para examinar a situação atual, depois do congresso em
Nagasaki e após o acidente em Fukushima, assim como examinar os riscos
que ameaçam a paz mundial”.
O fórum se articulou ao redor do tema “A cinco minutos para a meia-noite” e se estruturou em três partes:
1. O relógio do apocalipse: ele avança um minuto para a meia
noite: nesta seção se examinaram as razões pelas quais os cientistas
avançaram em um minuto o ponteiro do relógio.
Esse símbolo, também chamado de “do juízo final”, é um relógio
simbólico, mantido desde 1947 pela direção do Boletim de Científicos
Atômicos, da Universidade de Chicago, que usa a analogia da espécie
humana estando sempre “minutos da meia-noite”, onde a meia-noite
representa a “destruição total e catastrófica da humanidade”.
Originalmente a analogia representava a ameaça da guerra nuclear global,
mas desde algum tempo inclui mudanças climáticas e todo novo
desenvolvimento nas ciências e na tecnologia que possam causar algum
dano irreparável.
Gareth Evans focou a proliferação de armas nucleares e o desarmamento.
Reiner Braun analisou o desarmamento para a sustentabilidade e Ariell
Braun salientou propostas e ações para um mundo sem armas nucleares.
Foi apontado que o mundo de novo se dirige, sonâmbulo, ao desastre.
“Foram apresentadas iniciativas para criar uma convenção sobre as armas
nucleares e o trabalho da campanha pela abolição das armas nucleares”,
conta Mário Raia.
2. Depois de Fukushima: o triplo desastre ocorrido no Japão teve
por resultado uma nova consciência sobre a fragilidade que representa a
dependência da energia nuclear.
O Comitê de Enlace do Japão relatou sua experiência e foi abordado
também o uso civil e militar da tecnologia nuclear. Houve uma
contribuição da WWF sobre fontes de energia alternativa.
O Comitê de Enlace mostrou novas políticas em matéria de energia no
Japão depois de Fukushima. Stephan Singer destacou a futura combinação
energética, dizendo que 100% de energia renovável é possível. Wolfgang
Liebert frisou o caráter de duplo uso das tecnologias nucleares.
3. Riscos globais: o informe “Riscos Globais” do Fórum Econômico
Mundial destaca os perigos para a paz provenientes da falta de acesso à
agua e aos alimentos.
Angelina Hilbeck chamou a atenção para a alimentação, agricultura e
conflitos, enquanto Gabriel Babaloa analisou a situação da Nigéria com a
tensão nas ruas.