A
negociação desta terça-feira, 19, entre representantes dos
bancários e do HSBC, mostrou que o banco reconhece a força do
movimento sindical. Estava lá a equipe mais qualificada, incluindo o
próprio presidente, André
Brandão, e o diretor de recursos Humanos para América Latina, João
Rached. Do outro lado, quase trinta dirigentes de sindicatos em todo
o país. Mas mostrou também como o banco cria estratégias,
avançando nas discussões em que o movimento sindical pode
participar e retrocedendo naquelas em que ele é excluído.
O
exemplo mais claro foi a negociação sobre PLR – Participação
nos Lucros e Resultados e PPR – programa próprio de remuneração.
A PLR é negociada com os trabalhadores e está na Convenção
Coletiva Nacional. Do debate sobre os programas próprios, os
sindicatos são excluídos e as regras são validadas por uma
comissão interna. Na reunião desta terça, o banco anunciou que não
descontará a PPR dos valores pagos como PLR. No entanto, alterou as
regras dos programas próprios, com redução drástica dos valores
que serão pagos aos trabalhadores.
A
PLR, fruto de negociação nacional e expressa em Convenção, será
paga integralmente em sua regra básica, e o adicional ficará em uma média de R$ 610. A diminuição na PPR, no
entanto, será tão grande que, mesmo sem o desconto na Participação
nos Lucros, a soma da remuneração variável resultará em uma
diminuição de 10% a 15% nos valores pagos. “Esta PPR do banco é
uma piada de mau gosto. Para se ter uma ideia, um caixa deve receber
uma média de R$ 4.740 de PLR, somadas as duas parcelas. E, de PPR,
apenas R$ 125”, critica o diretor do Sindicato, Alan Patrício, que
também é secretário de Assuntos Jurídicos da Contraf/CUT –
Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro.
PLANO
DE SAÚDE – Os
representantes dos bancários foram enfáticos, também, nas críticas
às alterações no Plano de Saúde. “Até 2005 havia uma
negociação sistemática para discutir temas como reajuste,
melhorias e ampliação dos benefícios no plano. De lá para cá,
não houve mais negociação e as mudanças são feitas
unilateralmente”, questiona Alan. Segundo ele, os trabalhadores
estão recorrendo, inclusive, às vias judiciais para anular as
mudanças e garantir que haja um processo de negociação.
Além
dos reajustes, o banco está criando uma nova divisão entre os
bancários: os que são beneficiados pela Lei Federal nº 9.656/98 e
têm direito a manutenção do plano de saúde (seis meses a dois
anos) por contribuírem mensalmente. E os que não terão a chance de
contribuir e, por isso, não poderão usufruir da manutenção para
além do que determina a convenção coletiva (máximo de 270 dias).
O
banco tentou justificar as alterações afirmando que estava se
precavendo para garantir a qualidade do Plano. No entanto, as
modificações não garantem melhorias ou a manutenção da qualidade
do plano. “Para nós, ficou claro que se trata de uma manobra
contábil para o banco melhorar a performance diminuindo a provisão
para Planos de Saúde”, afirma Alan.
O
HSBC ficou de levar as críticas para o Conselho de Administração e
uma nova reunião foi marcada para a primeira quinzena de março para
tratar sobre o assunto.