
Sandra,
Margarida, Valdimarta, Suzana, Giselle… em cada uma destas
mulheres, a arte traçou caminhos. Para cada uma delas, abriu novas
veredas. Todas estarão no próximo dia 13, na Noite Cultural
promovida pelo Sindicato em homenagem à mulher. A atividade ocorre
na sede da entidade, a partir das 19 horas, com recital e bate-papo
com a poeta Suzana Moraes; e apresentações do grupo de percussão
Conxitas e do grupo de artesanato Fuxiqueiras do Coque.
Margarida
e Valdimarta são duas guerreiras da comunidade do Coque. Valdimarta
tem 21 anos, trabalha como manicure e se vira como pode para ajudar o
marido a criar as duas filhas pequenas. Margarida já tem netos e
vende munguzá nas ruas do bairro. Quando a Biblioteca Popular do
Coque anunciou a abertura de uma oficina de artesanato, o que elas
viram foi a possibilidade de um rendimento extra. Não sabiam que,
junto com o artesanato, a leitura e poesia se instalariam em suas
vidas.
O
grupo de mulheres foi batizado como Fuxiqueiras do Coque, já que
trabalhavam bastante a técnica do fuxico. Hoje, além de criar peças
artesanais, elas lêem, pegam livros emprestados, selecionam poemas
para os cartões que acompanham seus trabalhos e repetem a técnica
do poema ao pé-do-ouvido, aprendida com a poeta Silvana Menezes, em
passagem pela Biblioteca. O grupo tem cerca de vinte mulheres. Parte
delas estará no Sindicato no próximo dia 13. Além de expor seus
trabalhos, elas soprarão poemas nos ouvidos de quem estiver disposto
a escutar.
Antes
delas, uma outra voz recitará poesias na Noite Cultural que acontece
no Sindicato. Suzana Moraes é poeta cordelista, declamadora e
bancária. Mulheres são, quase sempre, protagonistas de seus
cordéis. Em meio à roda de conversa sobre “A presença da mulher
na cultura”, estas mulheres ganharão vida pela voz de Suzana.
Suzana
integrou o grupo de declamadoras “Vozes Femininas”; faz parte do
grupo “Bem Ditas” e integra, ainda, o grupo Cordelândia, que
leva música, histórias e poesia para a meninada. Todos são grupos
formados apenas por mulheres.
Se
as mulheres são presença constante na trajetória de Suzana como
declamadora, nos escritos não é muito diferente. Entre os quase 60
títulos publicados, Suzana tem uma versão de Maria Bonita sobre o
cangaço; um poema sobre a presença feminina na vida de Luiz
Gonzaga; um cordel sobre a dor de uma mãe que perde o filho: Maria,
a mãe de Jesus. Tem também uma peleja entre as deusas gregas Atena
e Afrodite, a história de uma nordestina que viaja ao Estados Unidos
no dia 11 de setembro, um texto sobre o Dia Internacional da Mulher,
entre vários outros protagonizados por mulheres.
Se
as “Fuxiqueiras” e Suzana trazem a poesia e o artesanato para os
bancários na noite do dia 13, o grupo “Conxitas” mostra a força
das mulheres no batuque, na música, na dança. Criado há mais de
sete anos, o grupo de mulheres cresceu. O que era apenas dança e
percussão, ganhou melodia, cavaquinho, guitarra, voz, violão,
arranjos. “Nos grupos mistos, as mulheres geralmente só
participavam como corpo de baile ou em instrumentos de efeito.
Mostramos que a gente tem força pra carregar uma alfaia e que
podemos tocar qualquer instrumento”, afirma Giselle Feitosa, uma
das coordenadoras do grupo.
SERVIÇO:
NOITE
CULTURAL EM HOMENAGEM ÀS MULHERES
Onde:
Sindicato dos Bancários de
Pernambuco
Quando:
13 de março, a partir das 19 horas
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