50 mil em Brasília saúdam Chávez e defendem investimento público

Mais
de 50 mil manifestantes tomaram a Esplanada dos Ministérios, em
Brasília, nesta quarta-feira, 6, para defender a pauta da classe
trabalhadora. Entre as prioridades estão a necessidade de ampliar os
investimentos públicos em infraestrutura e nas áreas sociais,
fortalecer o mercado interno e redistribuir renda, execrando o
receituário neoliberal de arrocho e precarização de direitos que
tem vitaminado a crise nos países capitalistas centrais.

Contando
com a participação de baterias de escolas de samba e bloco de
baianas, a sétima Marcha das Centrais Sindicais e Movimentos Sociais
por “Cidadania, Desenvolvimento e Valorização do Trabalho”
homenageou o presidente venezuelano Hugo Chávez – falecido
terça-feira – “pela sua abnegação em defesa da soberania e da
integração latino-americana”, e a luta feminista, ainda mais
reforçada às vésperas do Dia Internacional da Mulher, por
“igualdade de salários e de direitos”.

Concentrados
desde as primeiras horas da manhã em frente ao estádio Mané
Garrincha, militantes da CUT, CGTB. CTB, Força Sindical, NCST e UGT
se revezavam nos caminhões de som para defender sua pauta. “Estamos
pressionando para que o governo e o Congresso melhorem sua relação
com os movimentos sindical e social e cumpram seus compromissos com a
sociedade, o que não está ocorrendo”, declarou a presidenta
estadual da CUT Minas Gerais, Cerqueira Cerqueira, à frente de uma
caravana de 27 ônibus.

AMPLIAÇÃO
DA LICENÇA-MATERNIDADE –
Em
frente às tendas das centrais, a coordenadora do Coletivo de
Mulheres da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
(Fetraf-Sul), Cleunice Back, colhia assinaturas pela obrigatoriedade
da licença-maternidade de seis meses a todas as mulheres
trabalhadoras. “Precisamos alterar o conteúdo da Lei 11.770, que
facultou a prorrogação da licença-maternidade por mais 60 dias
para as trabalhadoras urbanas. Queremos que seja tornada obrigatória
a concessão de licença maternidade pelo período de 180 dias para
trabalhadoras urbanas e rurais”, disse Cleunice, apontando que a
própria Organização Mundial da Saúde (OMS) defende a necessidade
desses seis meses iniciais de contato mãe e filho para assegurar uma
vida mais saudável, o que também diminuirá os custos dos governos
com o setor.

A
secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva,
apontou a relevância “deste momento de luta para afirmar a pauta
feminista”. Um dos projetos de lei prioritários para as mulheres
cutistas, recordou, é o PL que prevê que as empresas privadas e
públicas tenham comissões internas para discutir o tema das
mulheres nos locais de trabalho. “Isso é chave para debatermos a
questão da igualdade salarial, das condições de ascensão
profissional, o fim do assédio moral e sexual. Mas há muita
resistência do empresariado no Congresso Nacional”, denunciou.

Recepcionando
as caravanas,o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos
(CNM), Paulo Cayres, avaliou que a realização de uma Marcha com
tamanha magnitude “amplia infinitamente o poder de barganha dos
trabalhadores”. “O foco dado ao fim do fator previdenciário, que
é um estelionato nos ganhos do trabalhador que se aposenta, e na
redução da jornada teve grande receptividade, mas é preciso ir
além e lutar para que se ampliem os investimentos no nosso país e
impedir que a redução dos juros sirva apenas para alimentar o lucro
dos patrões. É preciso redistribuir renda”, acrescentou Paulão.

Para
o coordenador do Coletivo dos Trabalhadores Indígenas do Mato Grosso
do Sul, José Carlos Pacheco, a Marcha acertou em cheio ao unificar a
atuação conjunta entre movimentos sindical e social, “pois
amplifica lutas comuns, o que coloca pressão para que sejam
atendidas mais rapidamente”.

Secretário
Nacional de Juventude da CUT, Alfredo Santos Júnior acredita que
bandeiras “como a redução da jornada de trabalho são essenciais
para conciliar trabalho com estudo, assim como a luta pelos 10% do
PIB para a educação e o trabalho decente”. “Hoje temos 67
milhões de jovens, com mais pessoas na população economicamente
ativa do que na Previdência, tendência que deve se inverter em
2050. Então, é o momento de aproveitarmos este bônus generacional
para pensar lá na frente, para valorizarmos a seguridade, para dar
melhores condições para a Previdência pública”, ressaltou.

“CHÁVEZ
ESTÁ PRESENTE!” –
Diante
de um mar de faixas e bandeiras que cobriram a frente do Congresso
Nacional, o presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas, fez uma
saudação especial ao presidente Hugo Chávez, que junto com Lula
lutou para construir uma integração inclusiva, com base na
soberania e na auto-determinação de nossos países e povos, e não
na submissão a quem quer que seja. Em frente ao caminhão de som
convertido em palanque a CUT ergueu uma grande faixa com o rosto do
presidente venezuelano e os dizeres “Hugo Chávez, presente!”.

Em
sua saudação, Vagner Freitas lembrou que todas as conquistas
obtidas pelos trabalhadores no último período, como a política
nacional do salário mínimo, se deveram à atuação unitária das
centrais, mais do que nunca afinadas pela redução da jornada para
40 horas semanais, o fim do fator previdenciário, 10% do PIB para a
educação, negociação coletiva no setor público, reforma agrária,
10% do orçamento da união para a saúde, combate à demissão
imotivada, valorização das aposentadorias, salário igual para
trabalho igual entre homens e mulheres, correção da tabela do
Imposto de Renda e mais investimentos.

“A
CUT afirma em alto e bom tom: a ação conjunta fortalece o nosso
protagonismo. Hoje não vamos apenas entregar nossa pauta à
presidenta Dilma, mas defender que se consolide um processo de
negociação perene com o governo, como se fosse uma grande Campanha
Nacional Unificada das centrais, que garanta avanços, fundamentais
para a sustentação do projeto democrático e popular que ela
representa”, declarou Vagner Freitas. Na avaliação do dirigente
da CUT medidas como a desoneração da folha de pagamento sem
contrapartidas sociais acabam atendendo apenas o capital, sem
contemplar as necessidades dos trabalhadores.

Várias
confederações, federações e sindicatos cutistas também
empunharam bandeiras contra a MP 595, “em defesa do patrimônio
público nacional, dos empregos e dos direitos dos portuários” e
contra os leilões do petróleo, anunciados pelo governo para os
próximos meses.

Distribuído
amplamente em Brasília, o jornal das centrais manifestou sua
solidariedade com os trabalhadores portuários e petroleiros,
“mobilizados em defesa do patrimônio público nacional, diante das
ameaças de privatização e das concessões em curso”. Tais
medidas governamentais, alertam as centrais, “permitem que as
transnacionais – vitaminadas com financiamentos públicos via BNDES
– avancem sobre setores estratégicos da nossa economia,
comprometendo o desenvolvimento soberano do país”.

O
avanço do salário mínimo de um patamar de 54 dólares para mais de
300 dólares, lembrou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira
da Silva, é resultado da unidade e da mobilização das centrais.
“Se hoje a economia teve um pequeno crescimento ainda, é graças à
atuação do sindicalismo, que conseguiu aumento real”, frisou
Paulinho.

Saudando
a unificação das bandeiras do povo brasileiro, o presidente da
União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah destacou que
“além de mostrar a força das centrais, a Marcha demonstra
sinergia e compromisso com os interesses dos trabalhadores e
trabalhadoras”. Uma das nossas prioridades, sublinhou Patah, “é
o fim do fator previdenciário, uma indignidade que penaliza o
trabalhador que deu sua vida, sangue e suor com um redutor de 40%
quando mais precisa”.

O
presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
(CTB), Wagner Gomes, enfatizou que é hora do Congresso Nacional
votar questões de interesse do povo brasileiro, do trabalho e não
só do capital. Destacando a importância de uma maior pressão sobre
o governo e o parlamento, Wagner lembrou a atuação destacada de
senadores como Paulo Paim (PT-RS) e Inácio Arruda (PCdoB-CE), em
especial pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais
sem redução de salário.

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