Santander usa truculência até para negar cafezinho

“O Santander é
podre.” A definição é de uma cliente do banco Santander, Lenilda
da Silva, servidora pública que denuncia, na Rádio Bancários
(clique aqui para ouvir), a discriminação de que é vítima a clientela
comum do banco. Ao ponto de “pedir um cafezinho e me dizerem que é
só para cliente Vang Gogh, tanto nesta agência como na Caxangá”,
ilustra.

Lenilda se refere à Agência Agamenon Magalhães, no
Espinheiro, escolhida pelo Sindicato para ato na manhã desta quinta
(10), 22º dia de greve. Protesto contra o atendimento seletivo, mas
também pelo uso de ameaças para coagir funcionários a trabalharem,
e de truculência para tentar intimidar sindicalistas. São práticas
recorrentes, sobretudo em tempos de greve.

Para o Sindicato,
se é para furar greve, que se garanta o atendimento a todos: “Viemos
para abrir a agência, mas a gerente, que ontem empurrou uma
diretora do Sindicato e funcionária do
Santander, hoje chamou a polícia para manter a agência fechada.
Usou como desculpa o vandalismo para continuar a atender malotes, com
a guarda da polícia. Até o choque está aqui”, explica Suzineide
Rodrigues, secretária de Finanças do Sindicato, e funcionária do
Bradesco.

Na quarta-feira, a gerente havia entrado em atrito
com a diretora do Sindicato, pelo motivo de sempre: forçar os
bancários da unidade a entrarem para trabalhar, mantendo a agência
fechada para o atendimento externo. A manifestação, portanto, foi
também de desagravo ao que a entidade considera um retrocesso nas
relações sindicais.

“Ela empurrou a diretora, mas
não é este o motivo pelo qual estamos aqui, e sim porque já
passamos por isso lá atrás, há muito tempo. Um tempo em que
clientes, funcionários e a polícia passavam por cima de dirigente
sindical. Hoje nossa relação com a sociedade e com os bancos é de
diálogo, não cabe violência, como promovida pela gestora da
agência, uma gerente que acha que é banqueira. Ela se recusa a
abrir a agência, os funcionários querem abrir, porque ela está
filtrando o atendimento só para cliente rico”, observa Teresa
Souza, diretora da Fetrafi-CUT e funcionária do Santander.

A
fala dos dirigentes sindicais mobilizou as pessoas ao redor, que
formaram fila, rapidamente, na expectativa de atendimento. Mas a
gerente fincou pé e se negou a democratizar o acesso. Valeu-se do
argumento de que “não sentia segura e é preciso defender o
patrimônio do banco”. Foi o que transmitiu o oficial da PM que a
gerente transformou em interlocutor junto aos trabalhadores, clientes
e usuários.

Postura arbitrária denunciada pelo Sindicato e
que foi registrada, também, por Alexsandro Vieira, diretor do
Sindicato dos Vigilantes: “É um absurdo, em pleno século XXI, uma
gerente que acompanha o tempo da ditadura, e também da PM, que
deveria dar segurança para o povo e não para empresa privada”.

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