
Depois de dezenove dias
de greve forte, os bancários conseguiram quebrar a intransigência
dos bancos e garantiram uma proposta de acordo com reajuste salarial
que recompõe a inflação e prevê uma valorização histórica nos
vales alimentação e refeição.
Em negociação realizada
neste sábado (24), a federação dos bancos (Fenaban) confirmou a
proposta apresentada no dia anterior, com reajustes de 10% para os
salários, para a PLR e para o piso. Já o aumento para os vales
refeição e alimentação é de 14%. Este valor representa 3,75% de
ganho real e eleva o vale refeição dos R$ 26 para R$ 29,64 por dia.
A cesta-alimentação sobe de R$ 431,16 para R$ 491,52 por mês.
O
grande impasse que travou as negociações na sexta-feira – os dias
parados na greve – foi resolvido depois de muita pressão do
Comando Nacional dos Bancários. A Fenaban insistia que as horas
paradas na greve tinham de ser descontas do salário ou compensadas
em sua totalidade. O Comando Nacional dos Bancários não aceitou e
isso fez com que as negociações se arrastassem por toda a
sexta-feira. A rodada foi interrompida por volta de 23h30 e somente
no sábado à tarde os bancos cederam.
Assim,
caso a proposta seja aceita pelos bancários, não haverá desconto
dos dias e a compensação resultará em anistia de 63% das horas
paradas para quem faz jornada de seis horas e de 72% para quem faz
oito horas. A compensação será de, no máximo, uma hora por dia,
entre 4 ou 5 de novembro (quando o acordo, caso aprovado, será
assinado) até 15 de dezembro.
Diante
da nova proposta, o Comando Nacional dos Bancários orienta a
categoria a aceitar o
acordocom
a Fenaban
nas assembleias que serão realizadas nesta segunda-feira, dia 26. Em
Pernambuco, o encontro está marcado para 19h, na sede do Sindicato
(Avenida Manoel Borba, 564. Boa Vista. Recife).
Para
a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, a
nova proposta da Fenaban é uma vitória dos bancários, que
construíram uma das mais fortes e longas greves de sua história.
“Foi com muita luta que conseguimos arrancar dos bancos esta
proposta de acordo para a renovação da Convenção Coletiva de
Trabalho. Desde o início das negociações, em agosto, os bancos
tentaram retirar direitos e impor perdas aos bancários apostando
que, neste cenário de crise, a categoria não iria encarar uma
greve. Mas mostramos aos bancos que seus funcionários são de luta.
Não só entramos em greve, como construímos uma das mais fortes e
longas paralisações da nossa história”, diz Suzi.
Graças
à mobilização dos bancários, a Fenaban se viu obrigada a melhorar
a proposta inicial de 5,5% de reajuste para 7,5% e, depois, para
8,75%. “Recusamos todas essas propostas, pois elas representavam
perdas para os bancários, já que a inflação do período foi de
9,88%”, detalha Suzi. Nesta sexta, finalmente os bancos fizeram uma
proposta com reajuste que contempla as perdas inflacionárias:
10%.
“Os bancos não queriam, de jeito nenhum, recompor a
inflação, dizendo que ela cairá no futuro e que a crise econômica
deixava pouca margem para as negociações. Foi preciso três semanas
de greve para garantir uma proposta que mantém o poder de compra dos
bancários. Foi uma vitória conquistada com muita luta, suor e
greve”, destaca Suzi. Ela conta que, com o reajuste deste ano
somado ao aumento real conquistado nos últimos doze anos, os
bancários acumularam 20,83% de ganho acima da inflação nos
salários e 42,3% nos piso.
Suzi diz que a avaliação geral
do Comando é que as negociações não avançam mais do que isso.
“Seria temerário manter a greve agora, pois podemos ter perdas em
relação aos dias parados. O Sindicato está orientando a aprovação
da proposta, mas quem decide são os bancários. Por isso, convocamos
todos os trabalhadores dos bancos de Pernambuco a comparecerem na
assembleia de segunda-feira para analisar a proposta e decidir se
aceitamos ou não”, conclama.
Suzineide destaca que o
Sindicato passará a segunda-feira discutindo com os bancários e
tirando dúvidas sobre a proposta. “Ou seja, vamos nos manter em
greve na segunda, até que a assembleia da noite decida se encerramos
ou não a paralisação”, explica.
Saúde – Durante
as negociações, a Fenaban apresentou um termo de entendimento a ser
assinado entre os seis maiores bancos e o movimento sindical bancário
com mesas específicas para tratar de ajustes na gestão das
instituições de modo de reduzir as causas de adoecimento e
afastamento. Os sindicatos acompanharão para garantir a melhoria das
condições de trabalho.
Bancos públicos
– O Banco do Brasil inicia a negociação com os
sindicatos ainda neste sábado. A Caixa marcou reunião para este
domingo (25), às 10h. A retomada das negociações com o Banco do
Nordeste ficou marcada para segunda (26).
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