O
ato foi marcado às pressas, pouco depois que o ex-presidente Lula
foi
constrangido a depor coercitivamente pela Polícia Federal, mesmo não
tendo uma única prova de que cometeu qualquer ato ilícito.
Mesmo assim, a militância reagiu e marcou presença junto ao
monumento Tortura Nunca Mais, símbolo de tempos difíceis de censura
e repressão.
“Sem
querer, o que o juiz Moro fez foi acender a centelha da militância
que já mostrou várias vezes que tem disposição para ir às ruas
defender a democracia, conquistada com tanta luta”, afirmou o
ex-deputado federal, Fernando Ferro. Sindicalistas, integrantes dos
movimentos sociais e estudantis, parlamentares e militantes
participaram do ato.
Para
a presidenta do Sindicato, Suzineide Medeiros, o que aconteceu hoje é
um atentado ao estado democrático de direito: “O
ex-presidente Lula tem endereço fixo, se prontificou a dar todas as
informações solicitadas e a única denúncia contra ele é a
suposta delação feita pelo senador Delcídio Amaral. É
o golpe que vem sendo construído pela direita há meses, sendo
colocado em prática com a parceria dos grandes meios de comunicação
do país”, denuncia.
Em
discurso emocionado, a deputada estadual Teresa Leitão descreveu
como sequestro a violência praticada contra Lula. “Durante duas
horas, ninguém sabia sequer onde ele estava… Mas, na verdade, quem
está sendo sequestrado somos nós. É a jovem negra e pobre que
agora pode cursar universidade. São as pessoas que nunca tiveram
qualquer direito neste país e agora tem. E é isso que eles querem
nos roubar”, denunciou Teresa. Ela lembra que passamos por três séculos de colonização e expropriação, por mais de 300 anos de escravidão, por trinta anos de ditadura civil e militar. “Mal completamos os trinta anos de democracia e eles já estão tentando nos roubar isso”, diz a deputada.
Fernando
Ferro lembrou, ainda, que este tipo de golpe institucionalizado não
está acontecendo apenas no Brasil, mas em todos os governos
populares da América Latina. “E isso é uma ação orquestrada
internacionalmente pelo capital. Não é à toa que hoje, depois da
abordagem de Lula, a Bolsa de Valores disparou 5,12%, a
maior alta desde 2009. Ou seja, o capital especulativo tem interesse
em derrubar o governo”, salienta Ferro.
Já
a vereadora Marília Arraes comemorou seu ingresso no PT – Partido
dos Trabalhadores: “Não podemos ficar reféns deste discurso que
tenta criminalizar as forças de esquerda. Na década de 60, muita
gente da família quis até renegar o nome de Arraes porque ele era
comunista”, afirmou. Assim como tinham feito outros parlamentares,
ela criticou a nota assinada pelo PSB de Pernambuco em que o partido
afirma que decidiu
passar “em definitivo” para as fileiras da oposição.
“O PSB mancha sua história”, disse a vereadora.
Várias
outras lideranças e parlamentares se revezaram no microfone durante
toda a tarde. A cada fala, a militância respondia com frases como:
“Não vai ter golpe!”, “Lula, guerreiro do povo brasileiro”
ou “O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo”.