A manutenção dos empregos é a principal reivindicação dos
participantes dos Encontros Nacionais dos Bancos Privados, ocorrido entre os
dias 7 e 8 de junho, em São Paulo.
Um total de 364 participantes esteve na reunião,
representando funcionários do HSBC, Bradesco, Itaú e BMB. As discussões giraram
em torno da atual conjuntura política nacional e na elaboração das pautas
específicas que serão apresentadas na Campanha Nacional dos Bancários de 2016.
Ao total foram 364 bancários na reunião.
As empresas do setor financeiro extinguiram 4,5 mil postos
de trabalho no Brasil de janeiro a abril deste ano. Nos últimos 12 meses, esse
número já soma mais de 11,3 mil demissões. Em contrapartida, os cinco maiores
bancos do país lucraram R$ 13,1 bilhões no primeiro trimestre do ano e R$ 69,9
bilhões nos últimos doze meses.
Além de participar das discussões unificadas dos
funcionários dos quatro bancos privados, os representantes dos trabalhadores
reuniram-se para elaborar as minutas específicas.
Bradesco
Os funcionários do Bradesco cobram do banco aumento de
número de empregados, a fim de combater a sobrecarga de trabalho e reduzir o
tempo de espera dos clientes para atendimento. O objetivo é que o tempo máximo
de espera seja, de fato, 15 minutos e que cada agência tenha, no mínimo, quatro
caixas para atendimento ao público.
Outras reivindicações consideradas prioritárias são a
criação e implementação de um Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) com
critérios claros; a transformação do seguro de saúde em plano de saúde, para
que seja mantido na aposentadoria; e o auxílio-educação.
“Essas são reivindicações históricas, mas que continuam
atuais, uma vez que o banco não as atende. Na reunião de entrega da pauta,
solicitamos que sejam barradas as demissões no Bradesco e no HSBC. Há um clima
de angústia nas duas empresas, mas o Bradesco não assumiu compromisso algum
quanto a isso”, afirmou a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, que é
funcionária do Bradesco.
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco
entregou a pauta específica ao banco, na última quinta-feira (9).
HSBC
Depois de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade) ter aprovado, com restrições, a aquisição de 100% do capital do HSBC
pelo Bradesco, os funcionários do banco inglês têm a expectativa de negociar as
pautas específicas, neste ano, diretamente com o Bradesco.
“Nossa preocupação é, além de manter os empregos de todos os
funcionários do HSBC, não perder direitos com a incorporação. Reivindicamos a
manutenção dos nossos salários e dos demais benefícios que recebemos como plano
de saúde e parcelamento de férias”, afirma a diretora do Sindicato, Suzana
Andrade.
Suzana explica ainda que as COEs do Bradesco e do HSBC
estarão juntas na próxima reunião com o Bradesco, que deve ocorrer por volta do
próximo dia 20.
Itaú
Entre as principais pautas específicas dos funcionários do
Itaú estão a previdência complementar para todos; a garantia dos empregos nas
agências físicas e o combate à terceirização praticada em larga escala pelo banco,
por meio da Contax. Além disso, consta também o aprimoramento da Cláusula 57 da
Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2015/2016, que se refere ao Programa de
Desenvolvimento e Organização para Melhoria Contínua das Relações de Trabalho.
“Além disso, reivindicamos a adoção, em todo o país, dos
itens testados e aprovados no projeto-piloto de segurança bancária,
implementado no Recife, e propomos a adoção da abertura remota das agências por
empresas especializadas em segurança”, afirma o secretário de Assuntos
Jurídicos do Sindicato, João Rufino, que é funcionário do Itaú.
O diretor ressalta ainda que a implementação do Pavas
(Programa de Assistência a Vítimas de Assaltos e Sequestros) também é
considerada prioridade. “Esse programa já está sendo executado com grande
sucesso no Banco do Brasil”, conta Rufino.