
Os bancários definiram a pauta da Campanha Nacional de 2016, no último dia 31 de julho. Reunidos na Conferência Nacional da categoria, em São Paulo, os 633 trabalhadores traçaram as estratégias de luta contra a retirada de direitos trabalhistas e em defesa da democracia.
Os eixos centrais da Campanha são: reajuste salarial de 14,78%; valorização do piso da categoria, para que se torne equivalente ao salário-mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho); Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários mais R$ 8.317,90; defesa do emprego; combate às metas abusivas e ao assédio moral; fim terceirização e defesa das empresas públicas.
A presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, comenta a importância da Conferência como espaço de formação e deliberações. “Houve participação ampla de bancários de todo o Brasil, além de formação política, seminários com intelectuais e personalidades para discutir o cenário político onde nossa campanha vai estar inserida. Também assistimos à apresentação de dados pelo Dieese, que nos mostra a perspectiva de aumento de desemprego na categoria bancária diante das novas tecnologias”, afirma Suzineide.
A pauta de reivindicações será entregue aos bancos no dia 9 de agosto. “Estamos vivendo em um cenário desafiador e muito diferente de outras campanhas que tivemos. Na vigência desse governo golpista, a gente não sabe qual será o rumo de nossa campanha. Não podemos abrir mão da Mesa Única.”, analisa a presidenta.
Os trabalhadores reuniram-se em quatro grupos para aprofundar as discussões sobre os seguintes temas: emprego; saúde do trabalhador, segurança bancária e condições de trabalho; remuneração; e estratégia para organização da luta e disputa da sociedade.
Suzineide coordenou o Grupo de Trabalho (GT) Emprego, no qual os principais temas foram a luta contra a terceirização, o fortalecimento dos bancos públicos e a contratação de novos empregados concursados. “Foram propostas várias cláusulas novas que se referem ao banco virtual, jornada e acesso do sindicato ao locais de trabalho ”, relata a presidenta do Sindicato.No GT Saúde do Trabalhador, Segurança Bancária e Condições de Trabalho, as más condições de trabalho e o assédio moral enfrentados por bancários de todo Brasil foram temas de debate. A diretora do Sindicato, Janaína Kunst, que participou do GT, explica que a violência nas agências tem gerado muita preocupação à categoria.
“Discutimos a possibilidade de acionarmos os governos dos estados para que as providências em relação à segurança bancária sejam tomadas. A abertura remota das agências e a guarda das chaves por empresas especializadas em segurança continua sendo uma das nossas principais reivindicações em relação ao tema”, afirma a diretora. Janaína destaca ainda que foi apresentada a proposta de os bancos subsidiarem medicamentos para os trabalhadores.
No GT Remuneração, a principal discussão foi sobre o índice de reajuste do salário e da PLR. “Há alguns anos, viemos reivindicando inflação mais 5% de aumento real. Mantivemos esse índice, por acreditarmos que é possível alcançá-lo na atual conjuntura econômica do país”, afirmou o secretário de Assuntos Intersindicais, Fernando Antônio da Silva (Batata), que participou do GT.
Por fim, o GT Estratégia para Organização da Luta e Disputa da Sociedade estabeleceu como foco de luta a mobilização contra o governo golpista, com o fortalecimento da campanha “Fora Temer”, e em defesa das empresas públicas, em especial os bancos.
“Reforçaremos o diálogo com bancários e usuários dos bancos para engajá-los nas lutas em defesa da democracia e dos bancos públicos. Essas instituições têm um papel essencial no desenvolvimento social do país. Não podemos aceitar que sejam privatizadas e percam sua função social”, explica o secretário de Cultura, Esportes e Lazer do Sindicato, Fábio Sales, que integrou o GT.
O diretor ressalta ainda a necessidade de todos os bancários pressionarem os senadores dos seus estados para que votem contra o impeachment da presidenta Dilma Roussef. “Precisamos garantir a manutenção da democracia no Brasil. Vamos nos comunicarmos com os senadores, da forma que pudermos, e reivindicarmos que eles defendam a democracia”, completa Fábio.
