O dia 7 setembro no Recife foi marcante e histórico. Mais de 50 mil pessoas saíram às ruas para a 22ª edição do Grito dos Excluídos e protestaram contra os ataques do governo golpista. Fora Temer, Fora Temer, Fora Temer…ecoou na cidade. O ato, neste ano, unificou o lema principal em crítica ao capitalismo – “Este Sistema é Insuportável: Exclui, Degrada, Mata”.
O Grito, organizado pelo Fórum Dom Hélder Câmara, contou com a participação da CUT-PE, MST, Fetape, FUP, Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, diversos sindicatos cutistas, grupos de religiosos, além de coletivos de mulheres, comunicação, estudantes, negros, LGBTs e partidos de esquerda. A concentração foi na Praça da Democracia/|Derby, área central da capital pernambucana, por volta das 9h e seguiu pela Avenida Conde da Boa Vista às 10h50. Com dois trios elétricos, bandas dos movimentos sociais e batuques de alfaias a manifestação encheu a cidade de cartazes, faixas, placas e seguiu até a Praça da Independência, na Avenida Dantas Barreto, local da dispersão.
Gritos e protestos
Vestidos de vermelho, os manifestantes cobraram, entre outras coisas, “Fora Temer”, “Nenhum Direito a Menos”, “respeito à democracia”,’Não à homofobia’, ‘Não ao racismo’, ‘Não à privatização’, ‘Pela legalização do aborto’ e ‘Pelo fim do massacre aos povos indígenas’. Cartazes reivindicando uma reforma política no Brasil também foram utilizados no protesto. Os gritos eram constantes. O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi “golpe”. Além disso, foram exibidos a imagem dos parlamentares golpistas e traidores que votaram pela destituição do mandato da presidenta. O dragão do bloco carnavalesco “Eu Acho é pouco” de Olinda foi outro destaque.
“Nós consideramos que não há impeachment, há golpe. E vamos combatê-lo nas ruas, denunciando os ataques aos direitos dos trabalhadores. Este governo que só espera um momento para acabar com os direitos da classe trabalhadora. Temos continuar na luta e resistindo Ao contrário, vamos perder direitos sociais”, destacou a representante do Fórum, Sandra Gomes. Das janelas dos prédios na avenida muitas pessoas se manifestaram a favor do Grito dos Excluídos, da democracia e contra o impeachment. Algumas delas agitaram bandeiras e faixas vermelhas, além de bandeiras do Brasil.
Eleições gerais
A luta pela democracia, a manutenção de direitos e conquistas sociais passam outra pauta de interesse comum: novas eleições gerais. De acordo com os manifestantes, esta é a melhor maneira de restabelecer a democracia. “A proposta é irmos novamente às urnas eleger, de forma democrática, uma presidenta ou presidente. Não podemos é deixar o poder nas mãos deste governo golpista e de seus apoiadores” enfatizou o coordenador do MST em Pernambuco, Jayme Amorim.
Na opinião do presidente da CUT-PE, Carlos Veras, aresistência ao golpe será intensificada. “Os golpistas não terão um só minuto de trégua. Nós estamos na rua hoje (7) e já temos um grande ato no dia 22, com uma grande paralisação em preparação do País para a greve-geral. Temos a oportunidade de defender o País em um momento tão grave da história politica”, pontuou.
Já era o começo da tarde, quando os manifestantes fizeram um enterro simbólico da democracia. O caixão que abriu a mobilização, levado por pessoas vestidas de preto, foi queimado e as cinzas expostas à população como o fim do regime democrático de direito. Os gritos Fora Temer! Fora Temer! Fora Temer! Tomou conta de corações e mentes. Os participantes também dançaram ciranda e promoveram um abraço coletivo na Praça da Independência. Apresentações culturais marcaram a dispersão da manifestação na área central do Recife. A caminhada de protesto foi encerrada às 13h30, num tarde muito ensolarada e quente na capital pernambucana.