Iniciada mesa de Saúde entre Comando Nacional e Fenaban

Nesta sexta-feira (15), o Comando Nacional dos Bancários participa da mesa de Negociação Nacional Permanente sobre Saúde com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

A categoria vem registrando níveis preocupantes relacionados à saúde. Os afastamentos previdenciários entre bancárias e bancários por doenças mentais e comportamentais passaram de 23,6%, em 2012, para 51,8% em 2024. Nesse mesmo ano, os bancários representaram 25% do total de todos afastamentos acidentários por doenças mentais e comportamentais e 3,3% do total de afastamentos previdenciários que aconteceram no país.

Os dados foram organizados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

“O aumento do adoecimento está relacionado com os riscos psicossociais no trabalho bancário, resultantes de um ambiente que estimula a rivalidade ao invés da cooperação, com prevalência de conflitos nas relações, ausência de suporte dos gestores e ritmo de trabalho excessivo, somado a um cenário de mudanças aceleradas por transformações tecnológicas e reestruturações, que geram insegurança no trabalhador quanto à manutenção da sua vaga”, explicou Vivian Machado, economista e técnica do Dieese. “As consequências disso tudo são o aumento de casos de burnout, ansiedade, doenças cardiovasculares, absenteísmo e acidentes por desatenção”, completou.

Levantamentos realizados pelo movimento sindical junto à categoria revelam a relação das condições de trabalho com aumento de casos de adoecimento no setor. Na Consulta Nacional de 2024, ao serem questionados sobre os impactos das cobranças excessivas pelo cumprimento de metas sobre à saúde, os resultados foram que:

67% tinham preocupação constante com o trabalho;
60% sentiam cansaço e fadiga constante;
53% sentiam-se desmotivados e sem vontade de ir trabalhar;
47% apresentavam crises de ansiedade/pânico; e
39% sentiam dificuldade para dormir, mesmo aos finais de semana (entre outros sintomas).

Já na Consulta Nacional de 2025, 85% dos respondentes afirmaram que o ambiente do trabalho nos bancos causavam impactos negativos para a saúde mental.

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“Hoje a realidade do trabalho bancário é formada por um quadro de pressão permanente por metas abusivas (e muitas vezes inatingíveis); assédio moral organizacional; vigilância e controle contínuos; e avaliação vinculada à remuneração. Tudo isso leva o adoecimento mental no setor não ser um problema individual, mas um problema de gestão”, observou o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles.

A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, reforçou como “inaceitáveis” os níveis de adoecimento na categoria. “Vamos exigir, nessa mesa de negociação, que os trabalhadores sejam respeitados no direito de ter um ambiente de trabalho saudável e livre de qualquer tipo de violência, conforme conjunto de cláusulas que conquistamos na campanha nacional unificada de 2024, e isso significa o fim da pressão por metas, que está ligada à prática do assédio moral”, destacou a dirigente.

A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, completou que é inadmissível que a ganância dos bancos por metas e resultados continue a prejudicar a vida e o bem-estar de trabalhadoras e trabalhadores. “Um ambiente de trabalho saudável é bom para o trabalhador, para os clientes (que são melhor atendidos) e para os próprios bancos, pois trabalhadores satisfeitos são mais engajados”, concluiu.

Reivindicações

Entre as reivindicações que o Comando Nacional está apresentando na reunião para um ambiente de trabalho saudável está o cumprimento pleno da Norma Regulamentadora número 1 (NR-1), que obriga as empresas a gerenciarem os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como sobrecarga, pressão por metas, conflitos e assédio moral, para prevenir Burnout e doenças mentais.

“Sem participação dos trabalhadores não existe prevenção, então precisamos que as diretrizes da NR 1 sejam cumpridas pelos bancos, assim como outras NRs que também são importantes para garantir um ambiente de trabalho saudável”, explicou Mauro Salles.

Entre as normas regulamentadoras que o dirigente chamou a atenção, como necessária nesse processo de combate ao adoecimento mental da categoria, estão a NR 17 e a NR 7.

“A NR 17 determina que o trabalho deve ser adaptar às condições psicofisiológicas dos trabalhadores. Mas hoje os bancos estão descumprindo essa NR, com metas abusivas e inalcançáveis; pressão permanente por produtividade; ritmo excessivo de trabalho; vigilância e controle constantes; cobrança em tempo real; assédio moral organizacional e ausência de pausas mentais. Tudo isso tem resultado em sobrecarga cognitiva, estresse contínuo e adoecimento mental”, reforçou Mauro Salles.

A NR 7, por sua vez, determina prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce de agravos relacionados ao trabalho. “Porém temos recebidos denúncias de bancos com práticas que buscam ocultar metas abusivas, o assédio e casos de adoecimento. Além disso, registramos casos de médicos subordinados aos interesses econômicos dos bancos, com posturas antiética, fragilizando a prevenção e a proteção à saúde”, pontou o secretário de Saúde.

O dirigente destacou ainda que, ao longo das campanhas nacionais de renovação da CCT, os trabalhadores conquistaram importantes cláusulas de proteção à saúde e por um ambiente de trabalho saudável. “Temos mecanismos para mudar esse cenário. Portanto a nossa disputa hoje é pelo cumprimento real da CCT, e infelizmente alguns itens não são cumpridos plenamente pelos bancos”, ressaltou Salles.

Campanha Nacional dos Bancários 2026

Além de definir os encaminhamentos para a mesa de Negociação Nacional Permanente sobre Saúde, que acontecerá amanhã, o Comando Nacional aproveitou o encontro de hoje para alinha as estratégias da Campanha Nacional de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), prevista para começar oficialmente em junho.

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