Os funcionários e
usuários do Banco do Brasil (BB) foram afetados por dois profundos processos de
reestruturação da instituição financeira em 2016. O Sindicato dos Bancários de
Pernambuco realizou, durante este ano, mais de 10 atividades públicas contra os
prejuízos gerados pelas reestruturações.
A
entidade se engajou em Dias Nacionais de Luta contra Reestruturação do BB, fez
diversas reuniões com os funcionários afetados pelas mudanças, articulou apoio
de parlamentares aos direitos dos trabalhadores, negociou com representantes do
banco a diminuição dos prejuízos e organizou paralisações de protestos, na
Região Metropolitana do Recife e no Interior do Estado.
Também
promoveu atos em frente a agências do banco e articulou a realização de uma
audiência pública na Câmara de Vereadores do Recife sobre os impactos da reestruturação
para Pernambuco.
As
medidas de descomissionamentos, fechamento de agências e corte de postos de
trabalho projetam para os trabalhadores um futuro de incertezas, tanto sobre o
seu posicionamento no banco quanto sobre suas condições de trabalho.
Em janeiro deste ano,
o BB iniciou o encerramento de atividades do Centro de Serviços e Logísticas
(CSL) do Recife, atingindo cerca de 80 bancários com a perda de comissões, como
parte da reestruturação da Vice-Presidência de Serviços e Infraestrutura (Visin).
O processo transferiu para o Sudeste importantes serviços que eram prestados em
Pernambuco.
Agora,
mais uma vez sem dialogar com as entidades sindicais e com os funcionários, o
BB passa por uma nova reestruturação. Ao todo, cerca de nove mil vagas serão
extintas, 402 agências fechadas e 379 transformadas em postos de atendimento.
Em Pernambuco, sete agências foram fechadas e outras nove transformadas em
postos de atendimento.
Na
avaliação da secretária-Geral do Sindicato, Sandra Trajano, a reestuturação irá
precarizar ainda mais o atendimento à população. “É um transtorno muito grande
para os bancários que, de repente, perderam funções. Naturalmente, isso também
terá reflexo no atendimento: com a redução de pessoal, a qualidade tende a
piorar”, analisa.
O presidente do
BB, Paulo Caffarelli, tem deixado claro, em entrevistas concedidas à imprensa,
a perspectiva privatista assumida pelo banco. “As medidas foram anunciadas sob
o subterfúgio dos benefícios da digitalização. Como podemos priorizar o
atendimento digital sem prejuízo à população, se a grande maioria dos clientes
do BB necessita de atendimento presencial?”, questiona Sandra. Atualmente, o
banco tem 63 milhões de clientes, dos quais apenas nove milhões operam pelo
celular.