![]()
Com
receio de não conseguir o número de votos necessários para aprovar
a Reforma Trabalhista, os senadores da base do ilegítimo Michel
Temer (PMDB) aceitaram fazer um acordo com a oposição para
adiar a votação do PLC
38/2017 (Projeto
de Lei da Câmara) na Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE) do
Senado. A leitura do relatório do senador Ricardo Ferraço
(PSDB-ES), favorável ao projeto, ficou para a próxima terça-feira
(6).
Nas
contas do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar), com a mudança de três votos a classe trabalhadora
conseguirá enterrar o desmonte de Temer.
O
presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, afirmou que a Central já
orientou suas bases para que mapeie todos os senadores presentes na
CAE e pressione ainda mais os parlamentares nos estados, nos
aeroportos e em todos os espaços por onde eles circulam para
fazê-los mudar os votos.
“Nossa
pressão tem de ser constante e ainda maior porque temos de barrar
esse projeto do ilegítimo e corrupto Temer, que deu um golpe para
destruir as conquistas da classe trabalhadora”, apontou.
Para
o dirigente, a reconquista da democracia se torna ainda mais
importante porque qualquer governo eleito por vias indiretas
prosseguirá com o ataque a direitos – o debate sobre votação
indireta começou no inicio deste mês quando o empresário Joesly
Batista, do grupo JBS/Friboi delatou o presidente e seu preposto, o
deputado Rocha Loures, e ambos passaram a ser investigados pelo
Supremo Tribunal Federal.
“A
agenda de reformas não é de governo, é de mercado, e qualquer
governo indireto vai prosseguir com ela. Por isso, além de Fora
Temer e suas reformas, agora reforçaremos nas ruas a luta
pelas Diretas Já”, falou.
Em
quem mirar
Na
avaliação do analista político e assessor legislativo do Diap
Neuriberg Dias, as centrais devem focar a pressão em parlamentares
do PSB, PSD e PMDB, que serão o fiel da balança, a partir dos votos
já mapeados entre governo e oposição.
“A
reversão é possível, porque se o governo garantisse a aprovação
já teria acelerado a votação. Tanto na comissão quanto no
plenário, se passar, esses partidos é que vão dar a tendência de
rejeição ou aprovação”, avaliou.
Na
votação do parecer do relatório, semana passada, o resultado foi
de 11 favoráveis e nove contra. Caso ocorra empate, quem decide é o
presidente da CAE, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), favorável ao
texto. Por isso a necessidade de mais três votos.
Jereissati
foi responsável por uma decisão polêmica na semana passada, quando
considerou lido o texto do projeto, sem que isso tivesse realmente
acontecido, aproveitando-se de um momento de tensão e discussão
entre os senadores.
Mais
uma semana de luta
Na
visão do membro suplente da CAE o senador Paulo Paim (PT-RS), a
mobilização das centrais tem sido e será fundamental para
fragilizar Temer e sua base.
“Hoje
estamos taco a taco com os governistas por conta da crise. Amanhã
teremos uma reunião às 15h com o Renan Calheiros (PMDB-AL) e
pedimos a presença de um representante das centrais para nos ajudar
a mapear votos e convencer outros parlamentares a votarem conosco.
Acreditamos que há grandes chances de reverter”, falou.
Ainda
segundo Neuriberg Dias, outro termômetro que demonstra a tendência
de alteração do projeto é número de emendas. Atualmente são
242.
“Há
divisão no Senado em relação ao assunto e o clima é de redução
da amplitude da reforma, em todos os aspectos, desde a tentativa de
minimizar o papel da Justiça do Trabalho, até o desejo de
enfraquecer a organização sindical. É justamente o contrário da
Câmara, onde atuaram para ampliar a reforma, porque os senadores
entendem que os deputados foram longe demais e agora é necessário
enxugar.”