Bancos cortam 6.319 empregos de janeiro e outubro; 349 em Pernambuco

Todos os dias, mais de
111 bancários perdem seu emprego no Brasil. Só nos primeiros dez
meses deste ano, os bancos que operam no país demitiram nada menos
que 33.822 funcionários. As contratações não acompanharam o ritmo
das demissões e o saldo, de janeiro a outubro, é de 6.319 vagas
cortadas. Só em Pernambuco, foram fechados 349 postos de trabalho
dos bancários nos primeiros dez meses do ano.

“Estamos
vivendo um momento problemático para a categoria bancária, com
demissões e redução de quadro de funcionários em praticamente
todos os bancos”, diz a presidenta do Sindicato, Suzineide
Rodrigues. “E olha que os bancos nem tomaram conhecimento da crise
financeira que afeta o país. Eles estão lucrando cada vez mais, não
há razão para tantas demissões e fechamento de postos de trabalho,
a não ser uma: a ganância por mais lucros”, completa Suzi.

Os
números tristes para a categoria bancária foram apresentados nesta
terça-feira, dia 24, pela Contraf-CUT, que divulgou mais uma
Pesquisa de Emprego Bancário, elaborada mensalmente em parceria com
o Dieese. O levantamento usa como base os números do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE).

>> Veja a íntegra da pesquisa

Segundo a pesquisa, os bancos múltiplos, com
carteira comercial, categoria que engloba grandes instituições,
como Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Banco do Brasil, foram os
principais responsáveis pelo saldo negativo. Eles eliminaram 3.980
empregos. O número também foi impactado pelos planos de
aposentadoria incentivada promovidos pela Caixa e BB. Somente na
Caixa foram fechados 2.356 postos.

Para Suzi, além da
ganância dos bancos, o emprego dos bancários ainda corre riscos
diante de uma série de projetos que tramitam no Congresso Nacional e
que regulamentam a terceirização ilegal no país. “Se aprovados,
acabariam com o emprego com carteira assinada e transformaria o
Brasil num país de terceirizados. E quem são os principais lobistas
no Congresso que pressionam pela aprovação desses projetos? Os
bancos”, diz Suzi, que ainda lembra outro problema que pode afetar
o emprego dos bancários: a compra do HSBC pelo Bradesco. “Estamos
acompanhando a fusão de perto para que não haja demissões”,
garante.

Para Roberto von der Osten, presidente da
Contraf-CUT, os bancos estão mostrando com essas demissões que não
têm compromisso com a realidade brasileira, pois o setor que mais
lucrou deveria, sim, contratar mais. “Acabamos de fechar com os
bancos uma dura negociação e um dos pontos que mais insistimos foi
a necessidade de convencionar salvaguardas para proteger empregos.
Claro que os bancos não aceitaram isso. Através da rotatividade
continuam retirando do salário médio os impactos do aumento real.
Isto significa que os bancos seguem demitindo altos salários e
contratando bancários com salários mais baixos. Para piorar, estão
demitindo mais do que contratando”, afirma.

Rotatividade
e salário
De acordo com o levantamento
da Contraf-CUT/Dieese, além do corte de vagas, a rotatividade
continuou alta. Os bancos contrataram 27.503 funcionários e
desligaram 33.822 nos primeiros dez meses. A pesquisa também revela
que o salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.507,23,
contra R$ 6.246,41 dos desligados. Assim, os trabalhadores que
entraram nos bancos receberam valor médio 56,1% menor que a
remuneração dos dispensados.

Desigualdade entre
homens e mulheres
A pesquisa mostra
também que as mulheres, mesmo representando metade da categoria e
tendo maior escolaridade, continuam discriminadas pelos bancos na
remuneração. A média dos salários dos homens admitidos pelos
bancos foi de R$ 3.855,43 entre janeiro e outubro. Já a remuneração
das mulheres ficou em R$ 3.121,93, valor cerca de 23,5% inferior à
remuneração de contratação dos homens.

A diferença de
remuneração entre homens e mulheres é ainda maior na demissão. As
mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos entre
janeiro e outubro deste ano recebiam R$ 5.376,29, que representou
76,5% da remuneração média dos homens desligados dos bancos, de R$
7.029,89.

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