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venda para o Bradesco das operações do HSBC no
Brasil, em julho deste ano, resultou em um processo caótico de incorporação.
Enquanto os clientes reclamaram de falhas nas contas, inclusive para receber os
salários, atraso na entrega de cartões e dificuldades em acessar o internet
banking; os bancários, entre outros problemas, relataram que estão sem
período de almoço, realizando jornadas diárias extenuantes, muitas acima de dez
horas e com sobrecarga de trabalho.
O
Bradesco chegou a pressionar os novos funcionários a assinarem um documento
abrindo mão de direitos conquistados. Entre eles estão o auxílio-educação, duas
opções de operadoras de plano de saúde e duas de planos odontológicos, folga no
dia do aniversário em substituição ao abono assiduidade previsto na Convenção
Coletiva de Trabalho e o abono assiduidade quinquenal.
Em
protesto contra a violação desses direitos, o Sindicato dos Bancários de
Pernambuco realizou atos e paralisações, integrando um movimento nacional que
trouxe resultados. Em relação ao auxílio educação, o Bradesco desistiu de
interromper o benefício em dezembro e decidiu continuar com o subsídio até o
fim do curso de quem já está matriculado. Além disso, o banco aceitou voltar a
cobrar, no plano de saúde dos aposentados, os valores que eram praticados pelo
HSBC.
De
acordo com o diretor do Sindicato Ronaldo Cordeiro, que é funcionário do
Bradesco, a falta de treinamento adequado gerou constrangimento para os
bancários que passaram a exercer funções para as quais não foram capacitados.
“O sistema do Bradesco é diferente do sistema do HSBC. Isso gera uma situação
delicada e sobrecarga de trabalho tanto para os novos funcionários, que não sabem
como proceder em diversas situações, como para os antigos, que estão tendo de
orientar os colegas, durante o expediente”, denuncia Cordeiro.
Neste
ano, o Sindicato aderiu também ao Dia Nacional de Luta em Defesa dos
Funcionários do Bradesco, proposto pela Confederação Nacional dos Trabalhadores
do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Na oportunidade, um grupo teatral apresentou
um esquete sobre o caos gerado pela incorporação do HSBC.
Na avaliação do
secretário de Bancos Privados do Sindicato, Adeílton Filho, o ano foi marcado
por fortes mobilizações em defesa dos direitos da categoria, que sofreu severos
ataques. “Em 2017, precisamos pensar na unidade da categoria, pois o HSBC e o
Bradesco agora são um único banco. A luta é em defesa da garantia do emprego e de
melhores condições de trabalho para todos os funcionários”, analisou.