Investidas violentas contra bancos, em 2016, somaram 346

O Sindicato dos Bancários
de Pernambuco, em entrevista coletiva hoje (20), apresentou os
números relativos às investidas violentas contra os bancos no
Estado, em 2016. Os dados revelam a total falência da política de
segurança pública de Pernambuco e a omissão dos bancos no
cumprimento de seus deveres.

No total, foram 346
ocorrências, sendo 250 arrombamentos e explosões, 34 assaltos à
mão armada, 36 ações em Casas Lotéricas/Caixa Aqui, 10 ataques a
carros-fortes e 16 sequestros. Assustam ainda mais o roubo de 400
armas, munições e coletes à prova de balas, além de dinamites. Das 56 cidades atingidas,
51,7% localizam-se na Região Agreste. Cada uma das demais regiões
pontua em 16%.

A violência explode
atingindo bancários, clientes e população em geral. Uma
demonstração é o número de Comunicações de Acidentes de
Trabalho (CAT) emitidas em 2016. Das 712 registradas, 230 são
relativas a doenças psíquicas, sendo 59 delas causadas por
assaltos.

Para a presidenta do
Sindicato, Suzineide Rodrigues, o quadro apresentado revela o
descontrole total das autoridades públicas e o descaso dos bancos
com a vida dos trabalhadores e da população. “Comprar armas e
viaturas é um paliativo. O governo precisa investir em inteligência,
tecnologia, integração entre órgãos de segurança, valorização
e condições de trabalho para o efetivo policial”, critica.

Ela destaca ainda que as
empresas sequer cumprem a legislação no quesito segurança. “No
Recife, por exemplo, existe a Lei 17.684/2010 que determina um
conjunto de procedimentos que é ignorado pelos bancos e que governo
municipal não se ocupa em fiscalizar”, denuncia.

De acordo com o
secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato, João Rufino, que é
o representante do Nordeste do Coletivo Nacional de Segurança
Bancária da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro (Contraf), medidas básicas de segurança poderiam mitigar
a violência bancária galopante, especialmente, no Interior do
Estado. Ele destaca a instalação de biombos nos caixas,
dispositivos eletrônicos acionados remotamente, portas com
detectores de metais, guarda-volumes e vidros blindados.

“Hoje, várias
agênciais do Interior são verdadeiros balcões de mercearia que não
oferecem nenhuma proteção à população e nem aos trabalhadores”,
afirma.

Além dos efeitos mais
imediatos, com as explosões, muitas agências são fechadas no
Interior, acarretando a falência do comércio local, elevação do
desemprego, riscos à população que precisa se deslocar para outros
municípios para realizar operações financeiras e cujas agências
ficam superlotadas sobrecargando os bancários.

A fim de contribuir para
a redução da violência no Estado, o Sindicato vai procurar a
Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) para propor aos
municípios que adotem legislações nos mesmos moldes da Lei
17.684/2010, em vigor no Recife. “Sabemos que não será por si só
uma solução, porque depende de fiscalização, mas é um passo
importante”, defende a presidenta do Sindicato, Suzineide
Rodrigues.

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