
Mais de 40 milhões de trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas, em todo o Brasil, para participar da Greve Geral do dia 28 de abril, convocada pelas centrais sindicais e frentes populares, contra as reformas trabalhista (PL 6787/16), previdenciária (PEC 287/2016) e a Lei da Terceirização impostas pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), os números nacionais de adesão indicam que essa foi a maior greve dos últimos cem anos.
Embora a mídia golpista brasileira tenha se esforçado para esconder a grandeza da manifestação, inclusive não utilizando a denominação “Greve Geral”, a mídia internacional repercutiu sua real magnitude. Jornais como Le Monde, BBC e New York Times, definiram a greve como “histórica” para o Brasil. O movimento paredista ocorreu cem anos depois da primeira greve geral no país, em 1917, e 21 anos depois da última mobilização do gênero.
No Recife, o Sindicato dos Bancários de Pernambuco marchou ao lado de 200 mil pessoas da Praça da Democracia, no Derby, até a Praça da Independência, no centro. A categoria cruzou os braços para dizer que não aceita retirada de direitos. Em todo o Estado, 67% dos bancários aderiram ao movimento paredista, fechando 55% das agências. Na Região Metropolitana do Recife, onde estão concentradas 70% das agências bancárias, a adesão foi de 40% das unidades; no Interior do Estado, onde estão sediados os outros 30% das agências, 10% paralisaram.
Na avaliação da presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, a adesão dos bancários à Greve Geral foi positiva. “Os bancários hoje vieram somar forças para que a gente possa derrubar esse governo golpista, que é rejeitado por 95% do povo brasileiro, e anular as reformas que ele tenta impor. Mostramos a força da categoria bancária com grande adesão na Região Metropolitana e no Interior”, disse.
A categoria que conquistou ao longo dos anos, com muita mobilização, uma Convenção Coletiva de Trabalho que assegura direitos superiores aos garantidos pela CLT, se integrou aos demais trabalhadores marchando por um percurso de aproximadamente 4 km, pelas principais avenidas da capital.
“Temos que ver esse grande movimento, no Brasil inteiro, como o primeiro de união de todas as categorias de trabalhadoras e trabalhadores. Vamos continuar na trincheira de luta, cada vez mais fortes, para termos o país que merecemos”, afirmou a secretária-Geral do Sindicato, Sandra Trajano.
Durante a passeata os trabalhadores vestidos de vermelho e preto fizeram ecoar palavras de ordem, como o “Fora Temer!”, além de denunciar os deputados federais pernambucanos que votaram a favor da terceirização irrestrita e da reforma trabalhista. Estiveram presentes na passeata da Greve Geral representantes de entidades sindicais, movimento negro, de mulheres, LGBT, da Igreja Católica, entre outros.
Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco (CUT-PE), Carlos Veras, mais de 60 categorias participaram da Greve Geral no Estado. “Hoje faz um ano e onze dias que o golpe se instalou e durante esse período todo eles estão tentando retirar os direitos dos trabalhadores. Mas, os trabalhadores estão dando o recado. Não vão passar as reforma trabalhista e previdenciária sem luta. Não vamos desistir, vamos enfrentar esse governo. Hoje é o dia que o Brasil parou e o dia em que começa a vitória da classe trabalhadora”, afirma.