O segundo dia do III Congresso da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Fetrafi/NE), foi marcado pela discussão de ideias e a construção do Plano de Luta. No primeiro momento, foi realizado um debate conduzido pelo professor-doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Sicsú, e pelo presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Roberto Von Der Osten.
Em sua fala, Sicsú observou que existem três articulações políticas no país que estão sendo evidenciadas neste período de golpe. “Existe o agrupamento político liderado pela Rede Globo, que defende exclusivamente os interesses das multinacionais, do rentismo e desnacionalização, outro grupo de políticos que são verdadeiras marionetes, interessados em formar patrimônios, e um terceiro grupo, o dos movimentos sociais e centrais sindicais, que defendem fundamentalmente o modelo de crescimento com geração de emprego, inclusão social e distribuição de renda”, observou. Como estratégia de luta, ele propôs um estreitamento das relações entre as esquerdas e as universidades, pois assim as ideias serão reproduzidas.
Ainda na palestra, o professor-doutor falou também sobre o constante ataque e ameaças de fechamento dos bancos públicos. “Fechar os bancos públicos ou diminuir suas atividades não seria um prolema só para correntistas e acionistas e, sim, um problema social, visto que esses bancos conduzem programas sociais extraordinários a exemplo do Crediamigo, do Banco do Nordeste, que estimula a inclusão produtiva da população carente. Por isso, a defesa dos bancos públicos tem que ser feita não somente pelos bancários, como por toda a sociedade”.
Outra pauta de destaque no Congresso foi a influência da mídia na construção de ideias. Sobre o assunto, o presidente da Contraf-CUT, Roberto Von Der Osten, declarou: “O que vemos hoje é a construção planejada de uma narrativa com aparência de realidade. A mídia golpista coloca na cabeça da população a sensação de uma participação consciente e cidadã e as faz acreditar na isenção do judiciário. Precisamos acabar com esse jogo estratégico, colaborando com a conscientização das pessoas e impedindo que a informação continue sendo vendida como uma mercadoria”.
Durante a tarde do evento, a técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Barbára Vasquez, falou sobre as ondas de inovação tecnológica nos bancos, as tendências com alto poder de impacto no mundo do trabalho e a queda crescente no saldo de empregos. Segundo a secretária-Geral do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Sandra Trajano, os trabalhadores do ramo financeiro devem ficar atentos. “Temos que ter cuidado para não cair em golpes, lembrando sempre que quanto menos pessoas no atendimento dos bancos, mais sobrecarga de trabalho para os que ficam, levando com certeza ao adoecimento”.
Após a palestra, o presidente da Fetrafi, Carlos Eduardo, fez um balanço sobre a gestão da federação nos últimos quatro anos e iniciou o debate para construção dos planos de luta do segmento. As principais expectativas são que as bases sejam fortalecidas, e haja um maior engajamento da categoria.
A presidente dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, avaliou como bastante produtivo o segundo dia do Congresso.”Hoje falamos sobre o impacto da atual conjutura política e ficou claro que a crise que o país enfrenta é reflexo de decisões tomadas em anos anteriores e que o Golpe foi planejado com bastante antecedência. O objetivo da mídia e de alguns órgãos federais é retirar o direito dos trabalhadores, por isso a importância dos bancários estarem juntos nesta mobilização pela democracia, exigindo Diretas Já”, afirmou.

