Fenaban frustra bancários ao recuar na reversão da terceirização de call center

A Fenaban frustrou as
expectativas dos bancários na reunião com o Sindicato e Contraf-CUT
da mesa temática de Terceirização, realizada nesta segunda-feira,
dia 6, em São Paulo. Os bancos recuaram de sua posição anterior
quanto às áreas a serem internalizadas no debate sobre call center,
causando um retrocesso nas negociações.

Conforme acordo
fechado na última reunião, os bancos realizaram uma apresentação
sobre os conceitos que nortearão o processo de reversão da
terceirização. A definição trazida pelas instituições
financeiras, no entanto, reduziu e muito o foco das discussões,
abrangendo apenas atividades receptivas e nas quais seja acessada
diretamente a conta corrente do cliente em operações conclusivas.
Inicialmente, o conceito trazido pelas empresas abrangia todas as
atividades que tenham acesso a dados dos correntistas.

“Houve
um retrocesso nas negociações. Alguns bancos já assinaram acordo
com o Sindicato para reverter terceirizações. Esses acordos
deveriam servir de parâmetro nas negociações com a Fenaban, mas a
federação dos bancos não quer garantir nem a internalização de
todos os serviços de call center”, comenta o diretor do Sindicato,
Alan Patrício.

A Fenaban informou ainda que as empresas estão
buscando “mais atrativos” para dar prosseguimento ao
processo de reversão das terceirizações. “Apresentamos então
dois atrativos claros para os bancos. Primeiramente, entrar na
legalidade e evitar passivos trabalhistas, uma vez que as
terceirizações têm sido constantemente consideradas ilegais pela
Justiça do Trabalho. Segundo, aumentar a qualidade de seus serviços.
Os clientes ligam para os bancos e pensam estar sendo atendidos por
bancários, não por um terceiro que lida com seus dados pessoais.
Temos provas de que estes trabalhadores ganham em média um terço da
remuneração de um bancário contratado diretamente pelo banco. Que
tipo de atrativo o banco espera ter? Reduzir ainda mais os
salários?”, questiona o diretor da Contraf-CUT, Miguel
Pereira.

Os bancos também apresentaram com roupagem nova a
tese de que o acordo a ser construído tenha caráter de adesão
voluntária para as empresas, o que é negado pelo Sindicato e pela
Contraf-CUT. E foram além: os representantes da Fenaban foram
literais em propor que esteja prevista a possibilidade de que uma
empresa que decida aderir ao acordo possa voltar atrás no momento da
renovação. “Isso é um absurdo. Como podemos, ainda no meio da
discussão para a construção de um acordo, prever a possibilidade
de sua reversão? Com estas propostas dos bancos, fica muito difícil
avançar”, defende Miguel.

Os trabalhadores irão agora
realizar debates nas entidades sindicais para definir os próximos
passos da mesa temática. “Esperamos que os bancos reflitam
sobre as críticas que fizemos e modifiquem o conceito que
apresentaram hoje”, conclui Miguel. Não foi marcada data para a
retomada dos debates.

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