Momento de ocupar as ruas para exigir Diretas Já!



Editorial da Fenae

A implosão do governo de Michel Temer, que passou a ser alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) após ser flagrado em diálogo concordando com pagamento de propina, representa um momento crucial para a democracia brasileira. As denúncias evidenciam a degradação do sistema político-jurídico e abrem uma perturbadora incógnita na conjuntura nacional.

A restauração democrática é a única alternativa eficaz para enfrentar o caos político que está instaurado. O momento requer que a população e os trabalhadores ocupem imediatamente as ruas, para exigir a convocação de eleições diretas. A pressão popular é urgente, porque a maioria dos atuais parlamentares não tem a mínima moral para definir quem vai governar o Brasil.

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), investigados pelo STF, não possuem legitimidade para ocupar o Palácio do Planalto. Inviável também é a já ventilada solução de colocar a presidente do Supremo, ministra Carmen Lúcia, no posto de primeira mandatária.

Em tempo, é importante acrescentar que o escândalo obriga a imediata suspensão das reformas antipopulares que tramitam no Congresso Nacional, como a trabalhista e a da Previdência. O parlamento, do qual boa parte está envolvida nas denúncias trazidas à tona pelas delações premiadas, não tem condições para aprovar medidas que afetam sobremaneira a vida dos brasileiros.

Qualquer decisão que não seja a restauração do Estado de Direito precisa ser rejeitada pela classe trabalhadora. A sucessão sem povo já ocorreu em diversos momentos da nossa história republicana e mostrou-se um completo fracasso. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no final de abril, 85% dos brasileiros apoiam eleições diretas. A luta, portanto, precisa ser intensificada. Isto será fundamental para a aprovação de uma emenda constitucional, com vistas a possibilitar que possamos decidir, nas urnas, os rumos da nação.

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